Passagens

o blog do Wanderley Geraldi

Debaixo do Tamarindo, de Augusto dos Anjos

No tempo de meu Pai, sob estes galhos, Como uma vela fúnebre de cera, Chorei bilhões de vezes com a canseira De inexorabilíssimos trabalhos! Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos, Guarda, como uma caixa derradeira, O passado da Flora Brasileira E a paleontologia dos...

Caim, de José Saramago

Certa vez me disse o amigo Jorge Larrosa que Saramago conhecia o ofício de escritor como nenhum outro em sua época. Este Caim o mostra com folga: somente um artista consegue contar uma história conhecida de forma desconhecida, tornando o enredo que constrói um modo de...

(…)

O texto de hoje é um parênteses. Um fôlego nada nostálgico que tenta recuperar a capacidade de enxergar beleza na humanidade. Não posso falar de tempo outros, quando olhar o futuro se tornou frio e solitário (sem essa de mãos dadas), então me atento à beleza de não...

MELANCOLIA DE UM PRESIDENTE – TAL PAI, TAL FILHO

Vamos às últimas manifestações instantâneas e às medidas e aos atos, espertamente programados do presidente do Brasil, nos seis meses e meio de governo. Hambúrgueres para os pobres e petróleo e minerais, madeira, bancos … para os ricos colonizadores de sempre. -...

Incansável

Há cerca de um mês, fui convidada a colaborar com este Blog que tem o peso de carregar a marca da pessoa que, com seus estudos e publicações, desde o final dos anos 80, revolucionou minha visão de ensino de Língua Portuguesa e de, como um carimbo ideológico, não a...

UM FILHO LÁ, MAS NÃO HAVERÁ UM FILHO CÁ

Embora junho já se tenha ido, com o seu dia dos namorados, com as festas de Santo Antônio casamenteiro, com os bailes de São João, Jair Bolsonaro continua a trocar afagos com Donald Trump e imagina que indicar seu filho embaixador nos EEUU é encaminhar para seu...

Canção para arrumar a mesa, de Anna Mariano

De minha mãe, eu sei, herdei a calma os pés no chão,  a luz dos candelabros. Mas quem legou as mãos ardendo em brasa? Quem semeou em mim esta semente a cada outono florescendo em dálias? Era tão certa a casa em que vivíamos seu lúcido equador, as costas largas bonança...

“Não tenho palavras”, de Chico Caruso

Como chegamos aos tempos em que teremos necessidades prementes de catarse, nada melhor do que voltar a velhos livros com as charges políticas dos fins da ditadura militar, como é este livro de Chico Caruso. Na introdução, em palavras para um artista que se revela e...