Oslo está em obras

Oslo em obras

Visitando Oslo, encontramos um cidade em obras, algumas já concluídas como o novo e moderníssimo edifio da Ópera. Obviamente o encantamento será sempre com o Vigeland Museum, um museu ao ar livre, um verdadeiro parque com as esculturas do artista.

Impressionante uma característica: edificios públicos estão acessíveis, o que nos permitiu perambular pelo vasto salão onde se entrega o Nobel da Paz. Não só o que está pronto impressiona. São inúmeras as obras em andamento. Investimentos publicos. Recursos? Procedentes da riqueza nacional, de exploração estatal, o petróleo. Como se sabe o modelo de exploração do nosso pré-sal teve a Noruega como um dos modelos de inspiração, mas os brasileiros não precisam se preocupar: o senador José Serra está trabalhando, com apoio da atual diretoria da Petrobrás, da diretora da ANP e, pasmem, secundado pelo senador petista Delcidio do Amaral, para que jamais o país possa ter desenvolvimento próprio, cuidando de suas riquezas como faz a Noruega. Bom mesmo é entregar a exploração para as multinacionais do petróleo, segundo estes espécimes vivos do anacronismo neoliberal. 

Antropologia do futuro

Dentro de alguns anos, os antropólogos poderão debruçar-se sobre o pensamento dos neoliberais tupiniquins, que acreditam tão piamente e estão tão cegamente ideologizados que agem segundo os princípios que sequer a matriz leva em conta. Serão tema em antropologia porque:

1. Nos tempos antigos havia suspensão de batalhas para que cada lado enterrasse seus mortos. E até Hitler enterrou os seus. Mas José Serra, quando prefeito de São Paulo, tentou tornar os sepultamentos um negócio e lançou edital para privatizar os cemitérios municipais… Não houve privatização porque não apareceram empresas interessadas no negócio, pois para neoliberais convictos, defuntos são mercadorias…

2. Uma característica muito comum entre políticos é a defesa do patrimônio público de seu país… A exceção corre mais uma vez por conta de nossos neoliberais que consideram crime alguém usar seu prestígio para que grandes empresas brasileiras ganhem contratos no exterior… Para nossos bons neoliberais, político bom é aquele que entrega quase de graça o patrimônio público para outros explorarem e ganharem, que luta para que os bancos públicos financiem as supostas compras, de modo que das privatizações não entra centavo algum no Tesouro, ao contrário, o Tesouro se endivida, captando recursos a juros altos e emprestando às empresas a juros baixos …

Por isso não sobrou nada das privatizações da era FHC, que quer retornar… A antropologia do futuro talvez consiga explicar estes fenômenos contemporâneos.

Turista sofre…

Visitávamos Bonito e o Pantanal, meu amigo Jorge Larrosa cunhou o enunciado. Levantávamos cedo e corríamos para conhecer tudo na velocidade do programa previsto. “Turista sofre…” virou refrão da viagem.

E eis que estamos conhecendo Tallin, capital da Estônia. A guia local, em seu espanhol, nos conta uma versão da história de seu país… Entre algumas pérolas que sofridos ouvidos turistas foram obrigados a escutar:

1. A Rússia invadiu nosso país duas vezes, depois da primeira invasão foram expulsos pelo exército nazista. Depois voltaram para ficar, porque além do tratado de não agressão assinado entre Hitler e Stalin, havia um tratado secreto de que a Estônia seria russa.. Ou seja, depois de vencida na Segunda Grande Guerra a Alemanha fez cumprir seu tratando secreto… Só para esclarecer: o çentro histórico de Talin é de palácios de nobres alemães que dominavam o país, ponto estratégico de entrada para o canal da Finlândia. Uma nobreza que apoiou Hitler. A chamada primeira invasão russa durante a guerra foi de ataque a um inimigo. Depois da guerra, a divisão não foi feita por um tratado secreto, mas bem público e bem conhecido!

2. Mostrando uma larga avenida ladeadas por edifícios de moradias construídos durante o período soviético, aparece a grande explicação: as avenidas largas eram para propaganda soviética, para os desfiles militares… Todas as avenidas largas são para isso…

A história que se aprende na escola ou na formação de guias turísticos de Talin não resiste a qualquer lógica um pouco mais séria. Uma pena, pois a cidade merece a visita.

Passagens?

Jamais me imaginei blogueiro. Mas o Alexandre Costa tem o dom de me mobilizar e me oferece um espaço de diálogos. Vou tentar. Por algumas razões se chama Passagens: por aqui poderão ocorrer passagens assumindo turnos no diálogo; também aqui encontrarão passagens de textos outros além das passagens que escreverei para provocar contrapalavras. Obviamente este titulo dialoga com a homenagem deste site chamado Portos. Espero trazer palavras e contrapalavras sobre assuntos variados, mas sem que o foco na educação desapareça.