Os bancários e a mesquinhez dos banqueiros

Todos ficam abismados semestralmente com os lucros obtidos pelos bancos brasileiros. A mídia, obviamente, elogia como é sua função: prestar serviços aos poderosos. Nós outros, brasileiros, sabemos que estes lucros estrondosos se fazem com nosso dinheiro, cobrando taxas de tudo que é forma, operando com os salários que são pagos através das redes bancárias, etc. etc. Mas sobretudo, ganhando com os Tombinis e os Levys, com suas políticas pró-banqueiros. O aumento da taxa de juro, apresentado como luta conta a inflação como se esta fosse de demanda, é a forma que os servidores dos banqueiros hoje em cargos políticos acham para agradar seus verdadeiros patrões, que não é a nação, mas o banqueiro.

Que não dividam conosco, tudo bem. Mas que demonstrem tamanha mesquinhez com seus empregados, os bancários, é simplesmente ridículo. Sequer querem repor a inflação. Aproveitam-se para apertar torniquetes nos salários, já que as políticas públicas recessivas (uma proposta considerada necessária em janeiro de 2014 pelo economista e guru do PSDB, Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC, privatizador das teles) produziram o desemprego e com isso retiraram força da luta sindical. 

Que outras empresas aleguem que estão no vermelho, tudo bem. Mas os bancos??? A FENABAN gostaria mesmo é de ter trabalho escravo!!! Para alegria dos banqueiros, bem que o coveiro mor do país, José Serra, poderia apresentar uma Resolução do Senado (para que não haja debate público) definindo que o trabalho em bancos deve ser efetuado como um serviço gratuito e obrigatório, ao estilo do serviço militar… todos teriam que passar algum tempo de sua vida trabalhando de graça para os banqueiros. Seria a tal educação financeira que teríamos todos! Por que será que Serra ainda não propôs isso??? Seria tão patriótico.

 

ausente

ausente, adj. Que corre grande perigo de se ver denegrido, vilipendiado, inexoravelmente equivocado, substituído por outro na consideração e no afeto dos demais.

          Para os homens, um homem não é mais do que uma mente. A quem importa

          a cara que tem ou a roupa que veste?

          Mas o corpo da mulher é a mulher. Ah,

          fique, amada minha, e nunca se vá,

          escuta do sábio a advertência:

          uma mulher ausente é uma mulher morta. 

                                                Jogo Tyree

Do El Diccionario del Diablo, Ambrose Bierce [tradução minha]

 

Fantástico: falácia da generalização apressada

Depois de muito tempo, ontem por acaso estava com a TV ligada e acabei assistindo a reportagem do Fantástico sobre o desperdício de alimentos. Um tema extremamente interessante e um problema que merece atenção de todos os produtores e consumidores de alimentos, já que há tanta fome no mundo.

No entanto, seguindo as fórmulas do senso comum, a reportagem acompanha uma família mostrando e pesando o que desperdiça e a partir do cálculo das gramas jogadas fora nos restos dos pratos de uma refeição, multiplica este peso pelo número de famílias brasileiras, chegando a um número fantástico de desperdício…

Ignorando diferenças no consumo e nas formas de consumir, e tomando uma família de classe média por parâmetro, julga todas as famílias a partir deste ponto de vista, como se todos tivessem a mesma renda e desperdiçassem da mesma forma! Trata-se de um modo ideológico de esconder as desigualdades sociais e fazer pensar que todos, absolutamente todos, desfrutam do mesmo padrão de vida. E a partir daí, como costuma acontecer nos meios de comunicação de massa, passa-se um pito moral em todos, ignorando que estes mesmos meios de comunicação estão entre os responsáveis pelo consumo desenfreado desta sociedade da felicidade paradoxal do hiperconsumo: desejar e comprar o melhor e mais é a mensagem com que somos bombardeados de forma contínua pelos mesmos meios que se arrogam o arrogante papel de moralistas.   

Liga, literalmente

liga, s. Unión de dos o más partidos, facciones o asociaciones para promover algún fin, por lo general nefasto.

literalmente, adv. En sentido figurado; como, por ejemplo: “El estanque estaba literalmente lleno de peces”; “El suelo parecía literalmente vivo de tantas serpientes que había”…

Retirado de El Diccionario del Diablo, de Ambrose Bierce (Galaxia Gutenberg – Círculo de Lectores)

A cruzada burra do Ministério Público Eleitoral

Reportagem de Carta Maior – felizmente existe a imprensa alternativa – entrevista vários jovens que estão sendo processados pelo Ministério Público Eleitoral por terem feito doações de R$ 10,00; 20,00; 40,00 ou 50,00 reais a seus candidatos nas últimas eleições. Também estão sendo processados militantes voluntários que trabalharam gratuitamente em serviços de contabilidade ou de assessoria jurídica – o valor dos serviços foram arbitrados e considerados como doações! Recado: a militância gratuita está proibida pelo Ministério Público Eleitoral… 

Os senhores procuradores eleitorais parece que não sabem que “o sistema de cruzamento de informações é burro”. Feito o cruzamento de informações do sistema eleitoral com a receita federal, chegaram à conclusão que todos aqueles que doaram estes enormes valores ou trabalharam gratuitamente, fizeram doações acima dos 10% de seus rendimentos, já que não fizeram declarações de imposto de renda!!!! Acontece que a burrice do sistema não poderia ter sido encorpada pelos procuradores, já que cada ação ajuizada individualiza os sujeitos e um procurador mais ou menos informado sabe que não fazer declaração de imposto de renda não significa não ter renda! 

Como se sabe, existem poucos processos judiciais tramitando. É preciso aumentar a morosidade da justiça, com mais esta avalanche de processos absolutamente ridículos, senão pelos fundamentos juridicos, pelos valores ínfimos. Casualmente são jovens que estão sendo processados. Casualmente jovens militantes de partidos de esquerda! 

Certamente não é ilegal que um candidato pague “portadores de bandeiras” em suas campanhas. Certamente não é ilegal que recebam doações grossas.  Não foi o ministério público eleitoral que descobriu as contas na Suíça do grande prócer eleito presidente da Câmara com apoio dos impolutos parlamentares do grande PSDB! Acontece que o Ministério Público Eleitoral está muito ocupado com seus processos para mandar os recados aos jovens militantes, particularmente do PSOL e do PSTU: não façam política, vendam-se à realidade.