Delcídio, conta tudo…

Delcídio está propenso a se tornar delator (um ato heroico muito em moda neste país). Um conselho ao futuro alcacoete: conte tudo, desde os tempos em que era´Diretor de Gás e Energia da Petrobrás… pode até contar dos tempos em que trabalhou para a Shell, o que o qualificou para ser diretor da estatal no governo privatista de FHC. Queremos saber tudo.

Claro que a PF não vai perguntar nada sobre os tempos de antanho… E já se sabe: o que você vier a dizer sobre aqueles bons tempos de diretoria, não vazará na imprensa, e será desconsiderado. A PF sabe fazer ouvidos moucos… Já faz agora, lá nas bandas de Curitiba. Não adianta seus herois delatores citarem Aécio e outros: vazarão somente informações de interesse do partido (afinal, o grupo de investigadores da Lava-Jato era também um comitê de campanha do Aécio Neves em 2014). Então, silêncio sobre estas coisas. Nada de processos inadequados! Só os adequados, julgados antes mesmo de qualquer investigação.

E viva-se feliz nestes tempos, como viveram os alemães na época de Hitler. Sob a ditadura nazista também somente crimes que interessavam ao partido eram considerados. Crimes dos companheiros nazi eram abafados, inexistentes… Toda justiça que julga ao estilo Gilmar Mentes, com discursos partidários, é fascista. 

Dilma, por que você não emprestou o vestido para o Temer?

Passaram-se cinco carnavais, e nosso vice-presidente permanceu no ostrasismo porque queria desfilar no carnaval fantasiado de Norma Constitucional, mas a Dilma se recusou a emprestar-lhe o vestido. 

O PMDB e seu presidente nos brindaram com três episódios deprimentes: primeiro Eliseu Padilha pede demissão do ministério porque um apaniguado não foi imediatamente contratado conforme ele propôs. Sem qualquer discussão sobre capacidade técnica. Uma saída ressentida: não brinco mais se não posso apaniguar meus escolhidos… 

Depois, Eliseu Padilha dá uma entrevista ao Estadão (08.12.15, terça-feira) em que faz a definição do projeto político, econômico, social do PMDB. Eis a pergunta: “Ao consultar às bases sobre impeachment, Temer também está de olho na Convenção do PMDB de março? Eis a brilhante resposta do porta-voz do vice que quer ser presidente “confiável”: “Claro. Conforme os desdobramento de cada dia, ir adaptando as posições do partido”. Jamais uma definição do PMDB tinha sido feita com tanta clareza: somos fisiológicos, dançamos conforme a música, conforme a circunstância, vamos adaptando as posições, não temos posições… somos extremamente adaptáveis. Daí porque sua política é a do “toma lá, dá cá”, fundamento para os queixumes do terceiro triste episódio.

Temer protagoniza este episódio: escreve uma carta queixosa à Presidenta reclamando do que considera “grande política”: a negociação de cargos, de benesses, acordos e mais acordos, segundo os “desdobramento de cada dia”. Reclama da falta de presteza nas nomeações, reclama de não ter sido convidado para um encontro da Presidenta com o vice-presidente dos EEUU, reclama de picuínhas, mostrando quão “estadista” é aquele que quer assumir a presidência. Desculpas para defender abertamente o golpe que encerrará o terceiro turno.

 A imprensa bem posta até noticiou, mas logo fez desaparecer a carta… Afinal, estão todos torcendo para que Eduardo Cunha, assanhado por uma oposição ensandecida (Aécio, Álvaro Dias, Carlão Sampaio, etc…) ganhe a batalha do impeachment, suspenda já na Comissão de Ética qualquer investigação sobre suas mentiras e falcatruas. E cheguemos a um novo presidente menor do que a atual, mais rato do que gato (sem perder sua vocação gatunística e sem perder jamais o fisiologismo que caracteriza o partido que preside).

Dá para ser feliz com o que está por vir? 

Vários dias brigando

Fiquei sem conexão. Por vários dias. Ainda não consegui resolver todos os problemas. Como sou consumidor brasileiro, já estou acostumado: temos o serviços mais caro do mundo em telefonia e internet. Temos o pior serviço do mundo em telefonia e internet. Pagamos o preço eterno da privatização! O custo social da privatização não foi calculado nos tempos de antanho. E estes tempos querem retornar a todo pano, para privatizar tudo. Logo, logo, teremos que pagar pelo ar que respiramos… Obs. Acho que já pagamos a título de outras taxas quaisquer nas lojas e bancos! 

Cunha reage a três votos de que precisa para se inocentar na Comissão de Ética

Aberto o processo de impeachment com fígado. Cunha fica sabendo da decisão dos três representantes do PT na comissão de ética: decentemente afirmam que votarão pela investigação sobre o Eduardo Cunha. Este, imediatamente, aceita o pedido de impeachment da Presidenta, assinado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale.
 
Não gosto da política econômica atual da presidenta! Tenho críticas à sua política em educação. Mas não vai daí que eu desconsidere o resultado de uma eleição democrática. É preciso ter respeito pelos votos dados pela população. Do ponto de vista político, para o partido da presidenta, um impeachment seria uma salvação. Em 2018 o candidato do partido não terá de carregar nas costas os custos dos ajustes neoliberais que serão conduzidos a ferro e fogo pelo ministério de Michel Temer! Serra, Aloísio Nunes, Caiado entre outros assumirão ministérios…
E seremos todos felizes…
 
Teremos um arrocho salarial como nunca visto. As políticas sociais serão arquivadas. Universitários que foram às ruas, financiados pelo Prouni ou Fies ou pelo aumento de vagas no ensino superior pelo programa Reuni terão que aprender a viver sem qualquer ajuda governamental. O Mais Médicos desaparecerá.
E todos seremos felizes!
 
Afinal, os grandes erros do governo foram estes… Entre deixar as pessoas passarem fome por não receberem o bolsa-família e ficar devendo ao banco público durante menos de um mês, o governo preferiu que as pessoas não passassem fome. O governo errou segundo todo o pensamento conservador… Afinal, a vida estava insuportável: “não se acha ninguém para limpar um pátio por prato de comida é uma roupa velha!”
E sejamos todos felizes…
 
Depois do impeachment teremos gente disponível para o trabalho escravo, por comida e vestimenta! O Brasil voltará aos trilhos desejados pela elite que sempre soube se beneficiar do Estado sem çriar escândalos. Os economistas-corvos exultarão externo que reaprender a aplaudir o que decidirem Fragas, Mendonças, Serra (o coveiro mor do país), etc.
E que sejamos todos felizes.
 
Não vou usar aqui o que se falava a boca cheia a favor de certa candidatura da elite: “viva … e pau no … dos pobres!” E sejamos todos felizes… O FEBEABA está de volta.

Autoritarismo da social democracia

O véu caíu. Vazou um vídeo da reunião na Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo. O chefe de gabinete instruiu os apaniguados coordenadores regionais, preparando-os para a guerra que tem pela frente: desmobilizar e desmoralizar os estudantes que ocupam escolas; criminalizar professores que os apoiam; destruir, se possível, pela via jurídica o sindicato dos professores. Enfim, um emaranhado de convocações à guerra!!! 

O governo da social democracia se mostra muito pouco democrático. Não quer diálogo algum, embora o mesmo sujeito com sua cara de pau apareça na TV dizendo que estão abertos ao diálogo! E querem propostas que substituam a sua. Como se deixar as escolas funcionando, não fechar escolas, não transferir 311 mil estudantes para outras escolas não fosse já uma proposta!!! A oposição à proposta da SEC/SP é pela manutenção das escolas e dos seus alunos e professores. Isto é uma proposta, se o senhor chefe de gabinete não sabe! Aliás, por que não apareceu o feio secretário de educação? Feio em todos os sentidos possíveis: autoritário, dono da verdade, etc. etc.

A divisão por faixa etária, justificada não se sabe em que teoria pedagógica, é um engano! Como se sabe, o convívio entre faixas etárias distintas é fundamental para o crescimento das crianças, dos jovens e dos adolescentes. Criar uma redoma de vidro de uma mesma faixa é querer esconder a pluralidade da vida social, da vida familiar. Esconder o sol com a peneira. Sabe-se desde Vigotski que aprende-se sempre com os outros que estiverem mais adiante. O desenvolvimento exige a pluralidade. Reunir por faixas etárias, depois por sexo, depois por classe social, depois por o que quer que seja, é atitude reacionária, construtora de guetos. Bem ao gosto da “eficiência” tecnocrática dos “competentes” incompetentes.