Noticiário Lava Jato

Em vazamento patrocinado pelo japa bonzinho ficamos sabendo que o filho extra-conjugal do FHC é amante da comadre do Lula e foram sequestrados pelo PT no sítio de Atibaia, donde foram transferidos de iate para o triplex de Guarujá, em viagem extraordinária e histórica de um iate andando por vias terrestres. Do triplex, graças aos auxílios da polícia federal, conseguiram ludibriar o procurador Dall’Agnol escapando sob a capa do juiz de voz fina que na intimidade chama o investigado desejado de “Nine”, porque o cara se acidentou de propósito para virar presidente do sindicato e depois de muita malandragem foi elevado à categoria mais alta em conluio com Delcídio Amaral e tudo foi julgado por Gilmar Mentes em sentença proferida na sede de Belo Horizonte, com a presença do Aécio Popó enquanto a Toia conversava com o convertido Romero Rômulo sobre o futuro da facção dirigida pelo Pai, depois da traição da Atena.

Bonner escondeu isso tudo do JN para evitar que coxinhas saiam batendo na comadre, onde se viu tamanha ousadia, se tornar amante, falta de vergonha! Lula terá prisão preventiva decretada porque sendo avô do El Niño, não soube educá-lo direito e ele, o El Ninõ, a pedido do Lula, anda provocando enchentes na cabeça desaguada do Geraldo e causando atrapalhações nos requerimentos do Janot.

Felizmente o Juliano e o Dante investigam tudo, e todos os coxinhas podem dormir sossegado.   

Escárnio da Samarco

Depois de considerar os brasileiros imbecis, depois de usar seus funcionários numa propaganda institucional, depois da vergonhosa ação deletéria à nação e ao planeta, eis que a Samarco se recusa, no acordo que a rede Globo noticiou como já realizado e suficiente, a reflorestar na forma de compensação aos danos ambientais a área do desastre. Recusa-se também a “executar a regenração florestal em locais adjacentes, coo áreas de preservação permante e de topos de morros”. O Estadão noticiou nesta sexta-feira, obviamente sem qualquer destaque, página interna do primeiro caderno, seção Metrópole, em que a machete é dada a Alckmin, o sigiloso. A matéria ocupa duas colunas de 1/4 de página, sem comentários, sem reclamações: uma notinha paraq depois não acusarem o jornal por não ter contado a verdade, verdade que o JN da Globo fez questão de esconder, aliás como é vezeiro neste jornal televisivo. Para os midiotas, parece que a Samarco está santamente se redimindo do que provocou, quando na verdade estrila,m faz gicana jurídica, o escarcéu para não diminuir seus lucros. Afinal, é uma eficiente empresa privatizada com o martelo batido por José Serra em New York, vendendo a Vale do Rio Doce (que virou somente Vale)… Mas não se assustem, se uma subsidiária da Vale provoca um desastre destas proporções, logo José Serra nos compensará com desastres semelhantes na área do petróleo (ou era pública a empresa Britisch Petroleum – a BP – quando provocou o maior acidente ambiental no Golfo do México?). Quem não é midiota, não esquece senho coveiro do Brasil.   

Saramago: conhecedor exímio do ofício de escritor

Como me prometi, venho devorando a biblioteca de literatura que fui constituindo ao longo do tempo. Agora, acabo de ler O homem duplicado (Saramago, Cia. das Letras, 2002). Arrependo-me de não o ter lido antes. Teria exemplos inúmeros do discurso indireto livre, que aparece com frequência no desenvolvimento da narrativa, em que o narrador se assume como autor, como escritor. No marasmo da ação da personagem Tertuliano Máximo Afonso, o tempo se preenche com as reflexões do narrador, que conduz a trama que cria. Dentre estas reflexões, há uma que remete a uma semiologia a ser desenvolvida:

“… Neste meio-tempo a palavra tinha sido dada ao professor seguinte, e, enquanto este, ao contrário de Tertuliano Máximo Afonso, discorre com facúndia, propriedade e proficiência, aproveitemos para desenvolver um pouco, pouquíssimo para o que a complexidade da matéria necessitaqria, a questão dos subgestos, que aqui, pelo menos tanto quanto é do nosso conhecimento, pela primeira vez se levanta.”(p.46)
 
Para além das opções formais (longos parágrafos narrativos entremeados de diálogo das personagens, entre si ou com o senso comum; o emprego de apenas dois sinais de pontuação, a vírgula e o ponto final), Saramago nos dá excelente exemplo da exotopia na relação autor-heroi de que tratou Bakhtin. Há outros exemplos, mas a passagem a seguir me parece lapidar:
 
“… António Claro, até agora, e apesar das inúmeras voltas dadas ao assunto, não conseguiu chegar a um traçado razoalvemente satisfatório de um plano de acção merecedor desso nome. No entanto, o privilégio de que goazamos, este de saber tudo quanto haverá de suceder até à última página deste relato, com excepção do que ainda vai ser preciso inventar no futuro, permite-nos adiantar que o actor Daniel Santa-Clara fará amanh~´a uma chamada telefónica para casa de Maria da Paz… ” (p. 244).
 
Quem ainda não leu O homem duplicado estará perdendo muito, como eu que adiei a leitura por nada menos do que quase 14 anos! 
 
 

Violência simbólica gera reações

Os acontecimentos do depoimento que não houve, com a presença de manifestantes na Barra Funda, estão dando garganta para muitos comentários da imprensa golpista. 

Há um comentador econômico do Jornal da Globo, que é também âncora de uma programa radiofônico da CBN que hoje reclamou alto e bom som que não se pode admitir a violência do estilingue contra o boneco do ex-presidente Lula vestido como prisioneiro… 

Seria muito interessante que este tal de Sardas no Albergue (algo assim me soa seu nome) lesse Bourdieu, e descobrisse que existe uma violência simbólica. E que nas manifestações ‘ordeiras’ ela está presente, muito presente. Vestir como prisioneiro quem ainda sequer foi julgado – como se sabe, a direita já encontrou o culpado: ele é o Lula; agora falta somente achar o crime ou os crimes – é uma violência simbólica que pode gerar outros tipos de violência. Mas esta violência simbólica, algo que faz todo o dia a mídia tradicional, não é “violência”! É notícia? Mentir pode, mas usar estilingue não pode, porque o boneco é “propriedade privada”… 

 

Impostômetro e impostura

Eis que acabo de fazer comprar num supermercado. Como costumam, atualmente, visando irritar todos os consumidores, abaixo da lista das compras, informam o valor aproximado dos tributos. Pois eis que fiz uma compra no valor total de R$ 221,48 e sou informado que o valor aproximado dos tributos pagos é de R$ 423,03!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Como se sabe, os valores dos tributos que começaram a aparecer nas notas não necessariamente será recolhidos, é mera suposição de que haverá recolhimento. Há até caixas em que, no sistema de nota fiscal paulista, quando se pede que registrem o CPF, faz o caixa uma anotação de que esta compra foi marcada… Por que será??? Será por que destas efetivamente se recolhem os tributos, enquanto que das outras não se recolhem? Afinal como se sabe a sonegação anda pela ordem de R$ 500 milhões por ano! E sonegação é apropriação indébita, porque nos custos do que compra o consumidor, estão incluídos até mesmo o imposto de renda das empresas e de seus sócios… Na verdade, como tudo está embutido nos preços, então empresas não pagam impostos, são agentes arrecadores que nem sempre operam com honestidade, porque sonegam, não repassam às entidades públicas o que recolhem de seus compradores.

E assim segue a humanidade: qualquer desvio de conduta dos outros é apontado, recriminado, mas ao mesmo tempo sonega-se como se sonegar fosse um ato lícito, moral e inocente. Mas depois são os primeiros a exigirem segurança, segurança, principalmente segurança para seus negócios.