Textos sobre textos: O Inverno e Depois

Luiz Antônio de Assis Brasil, ex-secretário de estado da Cultura do Rio Grande do Sul (2011-2014) e depois de quatro sem publicar romances (o anterior tinha sido Figura na Sombra, em 2012), brinda-nos agora com O Inverno e Depois (L&PM, 2016). Nele retorna à música (que aparecera em Concerto Campestre) para nos contar a história de amor entre Julius e Constanza.

Novamente uma estância é palco de uma trama bem urdida e acontecida tão longe da Fazenda Júpiter, a narrativa se desenvolve em constante flash back de modo que o leitor vai construindo uma cronologia que vai da infância à maturidade do heroi Julius Caesar da Câmara Pereira e Canto, nome completo que somente aparecerá na página 97 do romance e dito ao motorista que o leva de volta à estância depois de 40 anos, num diálogo que merece transcrição:

– É, seu Júlio, ainda temos um pouco de chão nessa estrada pavorosa. Só mesmo a gente falando. Ainda que mal pergunte, como é seu nome todo, todo, mesmo?

A resposta é dita em voz baixa e rápida:

– Julius Caesar da Câmara Pereira e Canto.

– Da Câmara Pereira e o quê?

– Canto.

– Gente fina tem um monte de nomes. Eu, por exemplo, só tenho um nome e um sobrenome. Daí porque eu sou o empregado e o senhor é o patrão. Pior isso o senhor é doutor e eu sou um burro de sair pastando.

– Não é nada disso – diz Julius, já incomodado. – E não sou doutor. E não vamos continuar com esse assunto, que não vai dar em nada.

– O senhor é quem sabe. Mas viu o que aconteceu agora? O senhor mandou, e eu tenho que ficar quieto.

Julius deve seu nome ao pai, um estancieiro latinista que, para abafar um escândalo amoroso de que nasceria Antônia – filha do patrão com empregada – e que será registrada em nome do capataz, transfere residência para São Paulo, bem ao gosto da mulher, onde ambos acabam falecendo em acidente de trânsito deixando Julius órfão aos cuidados de uma tia materna.

Desde criança Julius mostrará sua inclinação para a música, tocando seu “violino” infantil, presente de tia Erna. Torna-se violoncelista e vai com bolsa de estudos para Würzburg aperfeiçoar-se, estudando com Bruno Brand professor que antes de falecer faz anotações na partitura do Concerto para violoncelo de Dvorak que Julius pretende tocar na Escola. Sua apresentação foi um fracasso, e este fracasso se alia a outro, ao fracasso amoroso em sua relação com Constanza Zabala, uma clarinetista uruguaia.

A trama toda se desenrola em torno de Concertos, Mozart para Constanza; Dvorak para Julius. E entre ambos um amor forte e arrebatador em poucas semanas em Würzburg, uma cidade da rota romântica da Alemanha, e por isso não por acaso escolhida como palco do romance Julius/Constanza.

O retorno de Julius ao Brasil, seu tempo de Orquestra Sinfônica de São Paulo, sua desistência e acomodação numa vida mais ou menos medíocre tanto profissional como amorosa com a esposa Sílvia, é rompida pela decisão de tocar o Concerto. Por isso, viaja para a estância, isolando-se para estudar Dvorak.

A vida cotidiana e medíocre – “talvez eu esteja condenado a tocar apenas primeiros movimentos” – é deixada para a imaginação do leitor que a preenche como quiser, até mesmo a esquecendo, mas sempre muito mais atento ao que o romancista traz de um tempo recheado de rememorações, de um Outrora de felicidade:

Ele quer compreender este instante em que ensaia a elusiva sensação de que não apenas retorna ao pampa, um território apresentado nas imagens dos satélites como uma vasta planície que ocupa quase todo o extremo meridional da América do Sul. O sentimento é mais raro porque, se ele veio apenas à busca de um espaço para estudar o concerto de Dvorak, eis que se defronta com um tempo, impossível de ser medido em anos, séculos ou milênios, pois sobrevive numa época para além da barreira do pretérito imediato de uma vida, e que apenas uma palavra pode expressar: é o Outrora. (p.87) […] Ao olhar para o sul, para os cerros azuis do horizonte, eternos e indiferentes aos destinos humanos, ele é de novo tomado pela sensação que dominou seu primeiro contato com o pampa na idade adulta, e que chamou de Outrora. (p.289)

Se o Outrora de um espaço se perde num longínquo passado irrecuperável testemunhado somente pelas serras (mais coxilhas do que serras) sempre aí, no espaço de tempo de uma vida, este Outrora do herói tem um nome jamais esquecido: Constanza Zabala. Um nome que ele insiste em jogar neste tempo distante, mas que irrompe cotidianamente e o toma por completo. Um amor e um concerto. O leitor percorrerá toda narrativa tendo em mente estes dois temas, os mesmos que dominam os dois herois que separados desde os tempos de juventude em Würzburg, se reencontrarão no pampa e reconhecerão que é impossível lutar contra seus sentimentos numa praça de São Paulo, depois que Julius consegue, e com retumbante sucesso, tocar seu Dvorak:

Se todos cumprimos, sem o querer, pelo menos uma grande história neste mundo, aquela que nos dignificará e dará sentido a nossa vida, talvez a sua termine desta forma poética, meia hora depois de ter apresentado o concerto pra violoncelo de Dvorák, sentado num banco da praça ao lado do teatro, num entardecer de domingo, pensando no 2001 e, no entanto, praa sempre saudoso, solitário e incompleto, tal como os personagens dos romances. (p.344)

Não conto o fim da história: este é um prazer que não se deve furtar ao leitor. O Inverno e Depois, que é a primavera, trama uma história que eletriza e nos faz balançar como pêndulo neste movimento que vai do presente ao passado, do passado ao presente de Julius Caesar da Câmara Pereira e Canto  

Qual a extensão da Vara do juiz Sérgio Moro?

Não se trata de comprimento, extensão longitudinal, nem de extensão territorial, porque esta abrange o país todo e se tudo continuar como vai, abrangerá também o planeta inteiro.

Trata-se de pensar a “extensão” conceitual e de prerrogativas de excepcionalidades que lhe garante o Tribunal Federal de Recursos de Porto Alegre.

Quanto à extensão “conceitual”, o santo juiz já mostrou que pode ir além da legislação criando despachos com base em posições políticas e em análises de situações econômicas. A gente pode até ter dado um sorrisinho – eu dei – com a prisão de Sérgio Cabral. Mas não dá para admitir que entre os argumentos utilizados, um juiz justifique como necessidade da prisão preventiva, antes do julgamento da causa, a deterioração das contas públicas do Estado do Rio de Janeiro. Estas contas são julgadas por outros tribunais e em última instância pela população em seus votos.

Mas quer o santo juiz o direito de excepcionalidade que lhe permite justificar a prisão de um cidadão com base em seu julgamento da situação financeira de um Estado!!! Isto inaugura uma prática extraordinária, criando jurisprudência: o uso de argumentos absolutamente fora do campo da denúncia apresentada a um juiz, e ele arrogando-se ao direito de julgar em nome de toda a cidadania e antecipadamente à consulta a esta mesma cidadania.

É bem verdade que o povo diz: há duas categorias de juízes, aqueles que pensam que são deuses, e aqueles que sabem que são deuses. No caso do nosso santo juiz – que percebe vencimentos além do teto constitucional, mas isso não é problema corruptível, isto é, deteriorador de sua santidade pública – há uma humildade tão grande, que está fora destas duas classes. Acima delas, para felicidade geral da nação.

Noutro aspecto, a autoridade de sua Vara, grande, muito grande, é tão grande que ele pode sistematicamente rejeitar questões de ordem em depoimentos de testemunhas, se estas forem apresentadas pela defesa, mas aceitá-las imediatamente se apresentadas pelo ministério público. E ainda mais: se arvora à excepcionalidade excepcionalíssima de que o ministério público pode apresentar suas provas incriminatórias, e que a defesa deve apresentar provas da inocência do denunciado. É preciso provar a inocência, não se trata apenas de mostrar que não há provas ou que as provas são absolutamente insuficientes até para a aceitação de denúncias.

Tomemos como exemplo o depoimento do impoluto Sr. Delcídio Amaral – aquele que foi diretor da Petrobrás no governo de FHC, mas que só aprendeu a ganhar propinas quando abandonou a boquinha! O depoimento está nas redes sociais. Qualquer um pode ouvir que toda questão de ordem da defesa é entendida pelo santo juiz como “tumulto”. E o Sr. Delcídio denuncia com base no fato de que ele conversava com políticos de todos os partidos, nunca teve intimidade para falar com Lula sobre o assunto, não tem provas para comprovar sua delação, não tem prova alguma para mostrar que foi Lula quem o mandou negociar a não delação de Cerveró com sua família, impedindo o livre curso da Justiça. Tudo ele sabe porque outros lhe disseram… e isso, para a excepcionalidade alargada de que se beneficia o santo juiz é prova, e prova boa, e prova eficiente, e prova suficiente.

Então a vara do santo juiz é longa, muito longa… abrange tudo, penetra em tudo, elabora o que quiser. Cuidemo-nos todos porque de repente acabamos atingidos por tamanha vara. Quem tem rabo que tome precauções, exceto deputados e senadores do PSDB.

A única saída que temos todos é nos filiarmos ao partido para quando a vara se aproximar, evitando incômodos profundos, podermos mostrar a carteirinha de filiados e afilhados do PSDB. Ah! é assim que estaremos salvos. 

Tempos de medos que se aproximam do terror

Da luta contra o terror desde o 11 de setembro de 2001, com a simbólica queda das torres gêmeas até a eleição de Donald Trump se passaram apenas 15 anos! Mas parece uma eternidade porque se instalou no mundo um tipo de terror explícito que se somou a outro terror, aquele implantado junto com o pensamento único do neoliberalismo que cresce bem regado desde os anos 1970, adubado nos anos 1990 e que agora começa a dar sinais de derrocada.

A globalização da economia produziu muitos lucros virtuais, modificou profundamente – mas não estruturalmente – o capitalismo que se tornou rentista e improdutivo. Concentrou a renda, produziu a mendicância mesmo em países desenvolvidos. O estado de bem-estar social foi jogado às traças, e junto com ele as conquistas do pós Segunda Guerra Mundial, na construção de um modelo em que o estado impunha freios à guerra da concorrência liberal que produziu as duas guerras mundiais.

Foram anos dourados e não duradouros. O liberalismo se revestiu, mostrou nova cara e apareceu como neoliberalismo (e aqueles que o criticaram no país foram chamados por FHC de “neobobos”).

A elite brasileira, sempre atrasada, impõe-nos agora um governo para aprofundar a perspectiva neoliberal no país, ou seja, a construção de um estado extremamente vigilante mas jamais gerenciador dos conflitos que o mercado produz. Trata-se de construir o que chamam de um estado mínimo, não interferente, mas forte o suficiente para funcionar como policial para reprimir toda e qualquer reação aos lucros buscados com tanta ganância pelo poder financeiro que deseja açambarcar tudo para si, mesmo que a economia real se torne um caos improdutivo.

E por que está atrasada nossa elite? Porque é burra. Porque não quer enxergar o que está acontecendo no mundo. E no mundo onde transitam as pessoas, o que temos é o medo que está chegando ao terror face às incertezas e inexistência de um futuro. Qualquer esperança já foi destruída pelo sistema neoliberal globalizado. Todo trabalhador morre de medo de ficar desempregado; todo jovem olha para o futuro sem futuro que o aguarda; toda dona de casa cotidianamente calcula a sobrevivência física da família; todo aposentado vive sob o terror de não mais receber seus proventos porque o discurso uníssono é de crise e de falência dos sistemas previdenciários. É o medo e o terror.

No Brasil de hoje, a resposta a este medo e terror é o fim das políticas públicas, o fim dos investimentos para assegurar uma vida melhor. Tudo em nome dos ajustes fiscais, isto é, do direcionamento da economia como um todo para o rentismo financeiro. O trabalhador deverá ficar ainda com mais medo de perder o emprego, porque sabe que o sistema público de transporte se deteriora e se deteriorará num futuro breve. Levanta mais cedo, madruga e vai para o ponto de ônibus ou a estação de trem para garantir chegar no horário e não criar razões para ser demitido. Em nome dos ricos, piora-se a vida de todos os trabalhadores, de toda a pirâmide social que está abaixo do vértice!

No entanto, os acontecimentos mundiais estão mostrando que o sistema está ruindo. Alguns destes indícios são tão evidentes que chega surpreender que Armínios, Meirelles, Serras e adjacências não os compreendam. Depois da aventura devidamente televisionada para espetacularizar a morte em massa no Iraque justificada por uma mentira, seguiu-se nove anos depois a “primavera árabe” elaborada nos gabinetes da CIA, desestabilizando todo o Oriente Médio e criando as “guerras sujas” patrocinadas pela sede do império e seus asseclas (França e Inglaterra entre os primeiros). E isto sob um governo democrata!

O produto da obra está aparecendo na forma de refugiados que fogem para a Europa mergulhando no Mediterrâneo que se transforma cada vez mais num cemitério. Os refugiados estão visíveis, menos para a elite brasileira que quer aprofundar o sistema que os produziu, porque o domínio dos recursos naturais – dos mesmos que dispõe o Brasil – é necessário para garantir a continuidade do sistema neoliberal (alguma coisa neste sistema há de ser não virtual, porque as pessoas continuam tendo peso, e não se consegue tornar tudo abstrato: a concretude das coisas permanece). 

E dois fenômenos políticos de grande alcance estão mostrando que viver sob o medo e o terror da miséria que está batendo na porta de cada casa já não manterá as pessoas dóceis e meigas: o BREXIT e a eleição de Trump. Ambas representam uma vontade de se voltar para o interior dos países para resolver suas misérias. Ambas apontam para o fechamento das fronteiras. Ambas dão um golpe na globalização em todos os sentidos, aquela da economia e aquela da solidariedade entre os povos.

Infelizmente o caos produzido pelo neoliberalismo em escala mundial está abrindo espaço para o ressurgimento do “nacional socialismo”, bandeira do nazismo. A saída que apontam não será pela esquerda, mas pela direita.

E a direita implantará um estado vigilante e policialesco: vigiando as fronteiras até com muros físicos para evitar a solidariedade entre os povos; vigiando e controlando os de dentro para garantir o exercício ditatorial do poder ao mesmo tempo em que concede algumas benesses para diminuir o medo e o terror que internalizamos, mas com os quais não conseguimos mais sobreviver. Já vivemos este estado de coisas sob os ditadores militares. Nosso vivido está na memória, mas os novos adultos não os viveram e por isso, com o desencanto, com o medo e com a desesperança, estão jogando suas fichas na direita porque estão sobrecarregados das ideias vendidas cotidianamente nas mídias. Dentre estas, a principal é a ideologia do mérito. Imaginam a meritocracia estabelecida e nela reconhecidos os seus méritos. Perderão o medo mas continuarão lutando cegamente contra os outros para se sobressaírem e mostrarem seus méritos, garantindo sua prevalência e seus direitos ao consumo.

Vivemos no deserto do pensamento de direita, mas como intitulou um de seus livros D. Hélder Câmara – O deserto é fértil – neste deserto de ideias o que nasce é forte e fértil. Forte e fértil é a ideia de que os frutos da terra são um bem comum e que deles devem usufruir todos de forma menos abissal de desigualdades de acesso.  

AOS DOMINGOS, REFLEXÃO E POESIA

REFLEXÃO

Se o coração do homem não transborda de amor ou de cólera, nada se faz no mundo.

(Kazantzaki. Cristo Recrucificado)

POESIA

VERSOS DO PRISIONEIRO – A SENTENÇA

Você

tem que aprender

a respeitar a vida humana, disse o juiz.

Parecia justo.

Mas o juiz

não sabia que, para muitos,

a vida não é humana.

O prisioneiro retorquiu:

há muito me demiti de ser pessoa.

E proferiu, por fim:

um dia,

a nossa vida será, enfim,

viva e nossa.

(Mia Couto. Idades cidades divindades. Lisboa : Caminho, 2007)

PELAS MÃOS DE MICHEL, SÓ DINHEIRO LIMPINHO E CHEIROSO

O Sr. Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, permanece delator premiado. Isso é o que espanta. Quando acusou a campanha de Dilma/Temer de terem recebido um milhão de reais de dinheiro de propina, em troca de contratos com o governo federal, o escarcéu foi enorme. E a declaração não foi feita assim ao léu. Ela foi uma declaração oficial, enquanto delator premiado, na operação Lava Jato.

Acontece que o cheque de um milhão apareceu, e não era ao portador: tinha o nome de Michel Temer!!! E a partir daí foi para a campanha da chapa, com recibo assinado pelo tesoureira da campanha, como manda a lei.

Então o Sr. Otávio Azevedo é chamado para depor no TSE, no processo que julga o pedido do PSDB de cassação da chapa Dilma/Temer. E no novo depoimento muda a versão. Agora, que o cheque apareceu, o dinheiro é limpinho, cheiroso e retirado do caixa da empresa sem provir de qualquer contraparte a contrato qualquer.

E o sujeito continua premiado. É que delatores se enganam dependendo dos interesses momentâneos de que lhes pergunta. Quando era para produzir efeitos sobre a presidenta, a declaração era de que o dinheiro era sujo, repelente, asqueroso. Propina. Sorriam delegados, procuradores e juiz da Lava Jato.

Sem que esperassem, a campanha de Dilma apresenta o cheque e o caminho que percorreu. Aí tem que mudar tudo. A declaração anterior foi um engano. Agora o dinheiro é bonzinho. Porque é isso que quer ouvir o ministro do TSE. É isso que querem os agentes da Lava Jato.

E, no entanto, o delator continua premiado. E será ainda mais premiado com a nova versão necessária à boa condução da justiça. Ela é cega. Nada vê e julga de modo imparcial. De modo que a nova versão, dita para autoridade mais augusta, será a versão melhor, a definitiva. A não ser que aconteça alguma coisa por aí, e o delator tenha que ser novamente inquirido para dizer que se enganou desta vez, não na anterior… Mas por ora, o que vale é que pelas mãos de Michel Temer, estando presidente, somente passa dinheirinho limpo e cheiroso.

Será que o juiz da Lava Jato não vai se sentir incomodado com a mudança de versão? Vai engolir o sapo? Vai premiar ainda mais o delator, diminuindo a pena ainda mais? Quem sabe ele, de fato, nem corruptor foi! Acho que ele podia mudar a versão… Ah! Esqueci, toda a versão não pode mudar, porque daí tudo cai por terra e não fica bem. Muda-se a versão em partes para garantir as partes que garantidas devem ser para manter condenações desejadas e para livrar a cara de outros que não devem ser condenados. Tudo nos “conformes”.

Todos já sabem, agora, como funciona uma delação premiada. Afirma aqui, nega ali, reafirma acolá, tudo ao sabor dos ventos e da cara do freguês.  

E assim caminha o mundo, dentro de seus eixos, sem perigos de colisões porque todos os desvios são possíveis.