Sejamos resilientes, mas combativos

Por Alexandre Costa

Coordenador do Grupo Portos

 

Amigas e amigos leitores do Blog do Wanderley,

“Elles” não sabemos quem, mas sabemos por quê, estragaram a nossa brincadeira…

Primeiro tentaram atacar as postagem com comentários de faces fakes, mas não deu certo. Até a isso, Wanderley respondia. Então, como têm muito dinheiro e muitos ‘funcionários’ trabalhando nas redes sociais, simplesmente, entraram no site e destruiram sua estética e sobretudo seus recursos de funcionamento.

Levamos meses e meses para fazer o blog funcionar à altura (mínima) desse grande pensador brasileiro. O número de assinantes crescia muito rapidamente para um blog que não era impulsionado. Crescia pela qualidade e pelos compartilhamentos no face e em outras ferramentas. Era impresso e levado a escolas, era discutido nas univesidades e bares e sabe-se mais onde. Era lido em todo o Brasil, na América Latina, na África, na Europa e nos Estados Unidos. 

Era hora de nos barrarem. Levaremos meses para arrumar isso pois somos pequenos na tecnologia e temos poucos recursos. Mas somos grandes nessa grande conexão que nosso blogueiro criou. 

E nesse sentido, faço uma convocatória. Façamos uma campanha de assinaturas para o blog. É a resposta que podemos dar agora. Se não podemos compartilhar como antes que todos refaçam suas assinaturas e tragam mais assinantes. 

E aguardemos o próximo ataque. Fazê-lo voltar ao normal também implica torná-lo menos vulnerável a novos ataques. Eles têm muito dinheiro, tem muitos funcionários. Mas não têm gente como a gente. 

Não tem Wanderley Geraldi.

 

TEXTOS SOBRE TEXTOS: UMA QUESTÃO DE LOUCURA

Neste pequeno romance, a que o autor chamou de mini-romance, Ismail Kadaré opera com sua memória lembrando sua experiência juvenil em sua Albânia, em Girokastra, transitando entre a casa paterna e a casa do avô materno e no entremeio pela escola. Pelo casamento, uniam-se no narrador – a autor assume que se trata de memórias e imaginação – as famílias Kandaré e Dobete que se acusavam mutuamente de loucura, questão título do livro e preocupação que ocupou por algum tempo o narrador, até que sua vovó lhe disse:

– Metade de Girokastra fala estas coisas sobre a outra metade.

O menino (narrador) entreouve falas de adultos. A primeira destas falas que aparece na narrativa é a do suicídio do tio mais novo (não aparecem os nomes dos tios, sempre tratados de “o tio mais velho”, “o tio mais novo”, “a tia mais velha”, a tia mais nova”) porque sua irmã (a tia mais nova) vira algo do tio, algo terrível que não podia ser visto.

Imediatamente ele discute a questão, na escola, com seu melhor amigo, Ilir. Tratava-se de saber o que teria visto a tia mais nova. Ilir sugere que ela tinha visto o pinto do tio mais novo! Mas o narrador não aceita que isso pode ser motivo de querer se suicidar, mas retruca o amigo que quando o pinto é muito pequeno, pode acontecer isso.

O garoto curioso vai até a tia e lhe diz que sabe o que ela viu: o pinto do irmão. Recebe uma espinafração e também a revelação do segredo: ao passar a calça do irmão, ela viu a carteirinha de sócio do Partido Comunista! E isso era um segredo terrível, já que o partido era clandestino, ainda que estivesse no governo…

“… o partido, embora sendo secreto, estava acima de todos. Até a própria República, que derrubara a Monarquia, curvava-se perante o partido. Puxa, fez Ilir, enquanto eu continuava dizendo que o partido, se desse na telha, podia pegar a República pelo pescoço e jogá-la aonde bem entendesse. Ilir, depois de dizer puxa de novof, fez então uma daquelas perguntas que te gelam o sangue: se ele era tão poderoso, por que se escondia?

Levamos um bom tempo penando em busca de uma explicação para aquela história. Às vezes parecia que achávamos, mas logo depois a perdíamos. Recorremos a Deus, que vivia escondido embora estivesse acima de todos. Logo nos veio à mente Mero Lamtch, um célebra ladrão de galinhas que fugia da polícia desde o inverno passado. Por fim, recordamos o homem invisível, que aterroriza a todos justamente por se assim quer dizer, invisível e isso nos tranquilizou definitivamente.

A citação acima exemplifica um conjunto de situações que levavam as crianças a suas perguntas e a suas necessidades de respostas, que não encontravam com facilidade junto aos adultos: o avô está sempre lendo e jamais interfere mesmo na briga de seus filhos; o pai é um ausente no transcurso de toda a narrativa. E o amigo Ilir era o porto onde discussões e busca de explicações das coisas entreouvidas se realizava.

Este conjunto perguntas e respostas vai dando o tom à narrativa, em que os fatos que emergem são explicados pelo narrador juvenil que, ao mesmo tempo, com o amigo constroem um Cavalo de Troia, não para destruí-la mas para salvá-la: pretendiam entrar na cidade para dizer aos troianos que os gregos não tinham se ido, mas estavam por ali… Suas dificuldades seriam como encontrar uma delegacia de polícia para dar a informação sem saber falar a língua daquele povo. Ainda mais que a cidade deveria, à noite, estar às escuras, “talvez com exceção daquela onde dormia a bela Helena, cuja sombra sobre o ventre haveria de ser cem vezes mais bonita que a da Graciela Jakoel, já que ela fora a causa de toda aquela guerra terrível”.

Os episódios fundamentais do enredo são o da ameaça de suicídio do tio mais novo; a surra nos professores de latim e a exclusão do ensino de grego antigo e francês, tudo substituído pelo ensino de russo; o fim da clandestinidade do partido comunista e,encerrando a narrativa; a despedida da família judia de Graciela Jakoel, cuja sombra abaixo do ventre o narrador vira através da fechadura do banheiro e o falecimento do avô, mais ou menos previsível desde o início já que personagem de tempos do passado da Albânia.

Nos capítulos de “reflexões” que entremeiam o enredo, sobressaem-se a questão da loucura familiar, a questão da clandestinidade e do poder, a questão das línguas dos dominantes deste país que conheceu poucos tempos de independência: foi parte do império romano, depois foi dominado pelo império otomano para mais de três séculos e o tempo dos fatos narrados são aqueles da transição da república sem libertada da dominação nazista pela Rússia durante a Segunda Guerra (em 1942) e portanto de sua passagem para a União Soviética posteriormente ao fim da guerra.

O tempo é, portanto, aquele de uma passagem. A Albânia conheceu a liberdade e a república no curto espaço que vai da primeira à segunda grande guerra: no final da primeira desaparece o império otomano; depois da segunda aparece a URSS.

Este tempo de mutação é explorado por Ismail Kadaré através o olhar juvenil, do menino que compreende e não compreende, do menino a que adultos não dão grande atenção, mas que reflete, que pensa e que tem tiradas obviamente desenvolvidas pelo autor mais do que pelo narrador, como ao folhear o misterioso volume “Kossova, berço do albanismo”. Também os sérvios diziam a mesma coisa: Kossova era o berço da Sérvia. Então aparece esta pérola:

Realmente não era fácil. Era a mesma coisa que minha irmã, eu e meu irmão menor nos pormos a brigar pelo berço em que nós três tínhamos sido criados, +ara ver quem era o dono.

De passagem aparecem certos costumes dos albaneses, particularmente as rixas de honra entre famílias (tão bem retratada em outro romance do autor, Abril Despedaçado) e da história da Albânia (esta acessível de forma lúdica mas não menos séria em outro romance, El muro de la verguenza).

Há no livro inúmeras remessas à literatura… quase dando a entender que os meninos, o narrador e Ilir, manuseassem romances que dificilmente poderiam fazer parte das suas vidas, ainda dominadas por heróis e fantasmas invisíveis. Entre estes títulos desvelador de tempos de chatice, A boa gente da estepe, Primavera, A grande esperança. E posteriormente no enredo, quando da briga entre os dois tios, são citados muitos livros porque ambos fizeram uma divisão entre si do acervo Obviamente, A Mãe de Gorki ficaria com o tio mais novo, o membro do partido comunista. Há também referências a obras típicas desta passagem política quer vivia a Albânia, como “Relatos sobre Lênin” ou “O sexto aniversário do exército iugoslavo” de Tito.

Aqui também, como nas reflexões de entremeio aos fatos narrados, se mostra o espírito crítico de Kandaré, pois as referências literárias e bibliográficas não deixam de ser críticas sutis e muito bem tecidas das novas obrigações de leitura que iam aparecendo e a clandestinidade de outras leituras que deveriam ficar entre quatro paredes de uma casa.

Este mini-romance é muito bem urdido, e sua estrutura narrativa, colocando o olhar juvenil sobre fatos históricos, faz ver alguns absurdos tanto dos velhos costumes quanto das velhas e novas estruturas do poder político na Albâna.

SOROS FESTEJA. E OS SARDENTOS COMENTARISTAS FAZEM MALABARISMOS EXPLICATIVOS

Enquanto a economia brasileira vai ao brejo, muito mais por ações políticas do que por condições econômicas; enquanto as grandes empresas vão à falência pagando multas por lucros que não vieram para os chamados investidores estrangeiros (os brasileiros não entram na benesse); enquanto nosso sistema de repressão à corrupção concede todas as informações para processo milionários na justiça norte-americana contra empresas brasileiras numa forma de traição à pátria somente comparável a Joaquim Silvério, enquanto tudo isso, Soros comemora uma renda de 129% somente neste ano de 2016 com seus altos investimentos na Petrobrás.

Acontece que a equipe de Soros não ouve a Globo nem seus comentaristas de economia. Nem as falas públicas de seu funcionário (seria mesmo ex-funcionário?) Armínio Fraga, que provavelmente nos recônditos de seu escritório participou da volumosa compra de ações da Petrobrás feita por Soros, coisa pouco em torno de 5 milhões de dólares, transformados agora em mais de 10 milhões em poucos meses.

Todos previram a falência, o abismo e tudo o mais para a Petrobrás. Mas a economia real, as imensas reservas não saíram correndo, fugindo, desaparecendo. Permaneceram lá como patrimônio, razão suficiente para a confusão política produzida pela ganância das petrolíferas e pela estupidez dos políticos neoliberais brasileiros que sempre defenderam que o país não merece mais do que uma posição subalterna no contexto mundial, desde que recebam sorrisos em inglês (outros aceitam mesmo o sorriso francês)…

Pois Soros aproveitou a ocasião, fazendo o tal investimento que não trouxe qualquer capital para a Petrobrás, além de um suposto valor de mercado que em verdade somente beneficia os negociadores nas bolsas. Afinal se compro uma ação por 10 reais e vendo depois por 20 reais, quem ganhou 10 reais fui eu, não a empresa. Aliás quando comprei as ações, quem recebeu o que paguei foi o proprietário das ações, não a empresa. A economia da bolsa de valores não tem nada a ver com a economia real. Por isso, vivendo uma recessão econômica sem precedentes, com desemprego aumentando em milhões, em algumas valorizações chegaram em 2016 a 199%, particularmente na área da siderurgia, graças à decisão chinesa de diminuir sua produção de aço preservando suas reservas, coisa que jamais faremos porque este é um território entregue à sanha do lucro fácil!

Gostaria de ver os sardentos da vida, nos comentários econômicos dos jornais da Globo, explicarem as tabelas emitidas pela Bovespa mostrando lucros extraordinários! A economia neoliberal é a economia da troca de papeis; dos lucros estupendos registrados nas contabilidades de bancos e fundos. Mas a economia real mostra o outro lado da moeda, como estamos todos vivendo no país.

E ainda há quem defenda esta “economia de mercado” tão distante do mundo dos simples mortais desempregados pela recessão que produz lucros extraordinários no “mercado”.  

Delegados e procuradores brigam pelas telas da TV

A associação entre a investigação de crimes e a mídia através da qual antecipadamente se julga e condena, mesmo quando a investigação não passa de uma citação do nome por algum criminoso somente poderia dar no que está dando: o protagonismo midiático é mais importante que a investigação em si. Que o diga Dallagnol e adjências. Ele não se aguenta pregando somente nas igrejas e se comparando a profetas do Velho Testamento. Precisa aparecer na imprensa, sem provas, mas com power point acusatórios, com sua firme convicção.

Pois o protagonismo chegou às barras da justiça! Procuradores, ciosos das possibilidades de aparecerem nas telinhas de TV Globo estão na justiça reivindicando que somente eles podem discutir e fechar acordos de delação premiada. Não lhes basta ter a palavra concordando com encaminhamentos de delegados de polícia. Eles é que, sendo titulares da acusação, são os donos da delação!

Delegado que anda inventando protagonismo que se retire para o ostracismo. Não há espaço para eles, porque os dallagnois todos precisam de minutos de fama.

Esquecem procuradores e o procurador geral que delegados investigam também outros crimes não tão glamorosos como o crime da corrupção petista (que outras não se investigam por serem jurídicas e justas, até a compra de decisões sobre sonegações deixou de ser investiga). Assim, ao quererem somente para si os holofotes da TV Globo, os procuradores estão mostrando que estão mais interessados no protagonismo midiático do que na investigação em que supostamente estão envolvidos por dever de ofício.

Gostaria de ver um procurador destes ávidos por holofote fazendo plantão permanente nas delegacias de homicídios, de crimes contra o patrimônio, de repressão ao tráfico de drogas, todos atentos para conseguirem, como procuram conseguir os delegados, que parceiros presos indiquem seus cúmplices garantindo sigilo para não serem mortos no primeiro dia de prisão! Penso que isso não lhes interessa, porque a violência que atinge o cidadão comum não interessa aos procuradores. Como também não lhes interessa a sonegação de impostos (desde o médico que cobra mais 30% se o paciente pedir recibo até a apropriação indébita por grandes empresas que recolhem a contribuição previdenciária de seus empregados mas não recolhem aos cofres da Previdência, garantindo assim seu déficit). Também não lhes interessa os crimes contra e economia popular: em certos setores a oferta de 90% de desconto, como em farmácias, significa que há a cobrança exorbitante por produtos… mas isso não é crime, é mercado, seu imbecil.

Assim, ríamos todos dos processos em curso na justiça para que declare delegados incompetentes para negociarem com bandidos comuns delações premiadas. O combate ao crime não interessa quando não dá holofotes. Pobres delegados que terão que se haver com a mesma imprensa que reclamará maior rapidez e maior eficiência no combate ao crime e à violência.

Ainda mais agora, que portar garrafas de vinagre se tornou prova de intenção de violência de manifestantes que protestam contra o governo! Mas nenhum procurador denunciou os agressores de um trabalhador que buscava sua namorada no emprego! Isso pode, não pode mesmo é vinagre!!!! Os procuradores estão começando a cair no ridículo!

Quando o protagonismo vale mais do que a investigação criminal, a sociedade do espetáculo passou a dominar todos os setores da vida social.

poemas de ano novo

convite

Completou-se uma jornada.

Chegar é cair na inércia

de um ponto final.

Na euforia da chegada,

há um convite irrecusável

para uma nova partida.

(Helena Kolody. Sempre palavra. Edições Criar)

 

 

O PISO E O PASSO

Envelheço como o sapato:

quando menos sirvo

menos aleijo o chão.

Antes,

eu buscava

conhecer um lugar.

Agora,

apenas quero

um lugar

que me conheça.

(Mia Couto. Idades cidades divindades. Lisboa : Caminho, 2007)