Textos sobre textos: David Copperfield

O leitor contemporâneo que abre um livro de Charles Dickens, romancista do século XIX, já sabe que terá que conviver um tempo com suas palavras e suas histórias. Uma amiga que me via com o livro nas mãos, perguntava “Quem está lendo a Bíblia?” Acostumados que estamos, hoje, a textos curtos, rápidos, a empreitada de ler David Copperfield representa um esforço. O livro merece. A história merece.

Claro que sempre sobra a saída mais rápida: ver um dos inúmeros filmes produzidos com adaptação do romance para o cinema. No caso, há oito filmes (o último de 2010) diferentes à escolha para conhecer a história que, segundo alguns críticos, é a mais autobiográfica obra do autor.

Trata-se de um romance que se apresenta como memórias da personagem, o narrador. Este contar em primeira pessoa torna a narrativa uma espécie testemunho do vivido e a credibilidade no enredo depende precisamente do caráter deste narrador que se vai desenhando na consciência do leitor. A verossimilhança não é apenas relativa aos ambientes, ao tempo, às possibilidades reais dos acontecimentos narrados, mas também do próprio estilo do gênero escolhido posto a trabalhar pelo autor.

Há resumos da obra disponíveis na internet. Aqui apenas dou uma linha da trajetória: David Copperfield é órfão de pai; sua mãe casa-se com um sujeito autoritário (Edward Murdstone) que vem para o casamento acompanhado da irmã (Jane) que o repete. Ambos infernizam a vida tanto do menino quanto da mãe, até a morte desta. Órfão, David Copperfield, sempre acarinhado pela fiel babá e governanta Peggoty. O órfão sai em busca de sua única parente, a tia Betsey Trotwood, que residia em Dover. A caminhada de David Copperfield, passando por Londres procedente de Yarmouth é talvez a parte mais extremamente chocante do romance. Adotado pela tia, ele vai estudar em Canterbury e depois vai para Londres para entrar na “confraria” dos Procuradores.

O súbito empobrecimento da tia, causado por um auxiliar de seu Procurador, Urriah Heep, obriga-o a trabalhar imediatamente e assumir seu papel de arrimo da família. Peggoty que, com a morte do marido, havia herdado uma boa quantia para a época, ajuda a família Trotwood (nome assumido por David depois da “adoção”).

O enredo é longo, e com o que hoje se poderia chamar de “núcleos”: aquele da família Peggoty que envolve um romance mal acabado de Emily com um colega de escola de David; aquele da família Micawber, chefiada por um mal sucedido “gênio” que acabará trabalhando nos escritórios a mando de Urriah Heep, a quem quase no final da história, vai desmascarar; e os núcleos menos importantes, mas dos quais sairão a primeira esposa de David (Dora Spenlow) e o núcleo da família Wickfield de que sairá a segunda esposa, Agnes, uma amiga e confidente desde a infância em Canterbury. Há um terceiro núcleo marginal, o da família Strong, chefiada por um antigo educador aposentado que escreve um dicionário etimológico do inglês.

É interessante a personagem Mr. Dick que está escrevendo suas memórias, mas é sempre interrompido porque sua consciência é tomada pelo Rei Carlos, um dos reis doentes da Inglaterra. Dentre as reflexões de Mr. Dick – e até o nome – remetem ao autor, Dickens: ele não sabia se suas memórias iriam ser publicadas… Ora, Diskens escrevia as memórias de David Copperfield. Este jogo é muito interessante, numa sobreposição de escritas de memórias e de memorialistas: David Copperfiel, Mr. Dick, e Dickens.

Uma coisa é certa: se o leitor quiser dedicar um tempo para ler um clássico, seguindo o ensinamento de Ítalo Calvino, este livro pode entrar em sua mira. Não se arrependerá. 

O jogo não acabou. No desespero, a violência judicial crescerá

O excesso de vaidade também leva à verdade por descuido. Foi o que ocorreu com este vaidoso pregador, que se diz um novo Neemias, e que tem por profissão ser Procurador, um membro do Ministério Público, que deveria zelar pela lisura (sua e dos outros). Pois acabou revelando o que todos já sabiam desde que se tornou famosa a frase do santo juiz de pau oco, Dr. Sérgio Moro: “Isso não vem ao caso”. Em entrevista a Ricardo Boechat, disse o procurador imberbe:  

“O PSDB não fazia parte da base aliada do governo do PT. Como o PSDB não fazia parte dessa base aliada, não foram indicadas pessoas do PSDB [para cargos] por exemplo como diretores da Petrobras. Não tem como achar na Petrobras corrupção de um diretor ou presidente até porque não existia diretores do PSDB”.

O argumento é tão imbecil que chega a causar espécie. É como dizer que FHC jamais foi presidente. É esquecer que Delcídio Amaral foi diretor da Petrobrás (representando a Shell na empresa) designado pelo governo do PSDB. É esquecer que quem foi rei, sempre será majestade… É esquecer as relações de poder que atravessam uma república federativa, como se não houvesse governos estaduais do PSDB, nem senadores (um deles famosíssimo pelos 23 milhões depositados na Suíça, isso sabido sem investigação alguma), nem deputados. Como se o poder numa república fosse imperial!!!

Como o PSDB não tinha (mas teve) diretores na Petrobrás, então o PSDB está fora do alcance da Lava Jato!!! Mas e se as delações apontassem para políticos do PSDB, mostrando que receberam propinas??? Mas se as empreiteiras dissessem que seus departamentos eram apartidários, e trabalhavam com todos os partidos? Bom, aí viria a famosa frase moriana: “Isso não vem ao caso!”

Depois disso, se alguém ainda duvida que a Lava Jato não é uma investigação contra a corrupção, mas um braço auxiliar importantíssimo e excepcional, com direitos a excepcionalidades e a ilegalidades, com cunho partidário e golpista, então esse alguém é um imbecil incapaz de raciocínio e talvez devesse ainda andar de quatro porque não atingiu o homo erectus em termos de capacidade de compreensão dos fatos…

Houve desvios de conduta durante o governo petista? Sim. E estão pagando com prisões e execrações públicas pela imprensa… Houve desvios praticados por governos do PSDB? Sim. Mas não estão pagando com prisões nem sofrem execração pública os seus agentes… Não há tremsalão em São Paulo. O “santo” da Odebrecht irá para os altares das igrejas da República de Curitiba. Será adorado por dallagnois grandes e menores… O senador José Serra, que diziam estar fora da casinha, mostrou que está muito bem, obrigado, conversando com os juízes que o julgarão no convescote comemorativo (ao preço módico de R$ 350,00) de posse do douto, sabientíssimo constitucionalista e chefe de polícia violenta, Dr. Alexandre de Moraes no STF. Está são, pode ser investigado… Será? O procurador geral da república somente pedirá abertura de investigação contra Aécio Neves às vésperas da prescrição dos crimes… para depois pedir arquivamento do que pediu! Assim funciona o PMPJ (Partido do Ministério Público e do Judiciário).

Enquanto isso, para o outro lado, uma perseguição incansável. Já definido o criminoso, busca-se com fervor e fé e convicção um crime. E não encontram depois de anos de investigação… Vão prender por causa dos pedalinhos dos netos!!! Ainda que alguns digam

“O jogo acabou, doutor Moro. Lula não é ladrão; e o desespero e a perseguição são péssimos conselheiros. E por quê? Porque quando um juiz, procuradores e delegados não encontram nada que implique Lula em malfeitos e corrupções, mas mesmo assim continuam com a insistência para incriminá-lo, o servidor público perde sua autoridade, porque age e atua a perseguir o cidadão, mesmo a saber de sua inocência. Acabou, doutor Moro. Não há mídia golpista como esta que viceja no Brasil que possa, indefinidamente, manter a crença de que Lula é corrupto ou ladrão. Não há condição para tal covardia e perseguição sem fim, doutor Moro.” (Davis Sena Filho, blog Palavra Livre)

Infelizmente, o jogo não acabou. Tornou-se violento como mostrou a condução coercitiva e ilegal do blogueiro Eduardo Guimarães, a mando do juiz com direitos a excepcionalidades e a ilegalidades, que ele não se furta de praticar. 

Covardes. Filhos da ***

Não, eu não vou falar do ataque terrorista em Londres. Sobre isso falará toda a imprensa escrita e falada. Fará seus comentários, condenará o terrorismo, como devemos condenar.

Minha chamada aos covardes, filhos da *** somente veio três dias depois: esperei me acalmar, esperei a raiva baixar, esperei o desespero calar durante este tempo todo. Por isso estou calmo e sereno ao chama-los de covardes, o mínimo que neste momento de serenidade posso dizer!

Vivia Waldomiro Costa Pereira em seu sítio, no assentamento 17 de abril, em Eldorado de Carajás. O nome do assentamento lembra o massacre de Eldorado, quando 19 trabalhadores rurais foram assassinados pela Polícia Militar do Pará. No sábado, dia 18 de março, foi agredido por criminosos certamente a mando de latifundiários. Sobreviveu e foi levado para o Hospital de Parauapebas. Submetido à cirurgia, recuperava-se na UTI do hospital.

Pois cinco assassinos invadiram o hospital, renderam seus seguranças e dirigiram-se à UTI e assassinaram Waldomiro Costa Pereira. Ele já tinha exercido funções de direção do MST, mas havia se afastado. Continuava líder, obviamente, pois liderança não depende de cargo de direção.

Ele foi contratado também como assessor de gabinete da Prefeitura de Parauapebas, o que desvela seu trabalho político.

Matar alguém que está em recuperação, dentro de uma UTI hospitalar, é um crime hediondo. Há vídeos da segurança do hospital, disponíveis. O homem que vem à frente, no vídeo, está de cara à vista, identificável. Restará saber se a comprometida Polícia do Pará tem interesses em identificar os criminosos. Provavelmente armará um escandalosamente falso processo como fizeram quando do massacre de Eldorado de Carajás, acusando 155 envolvidos sem fazer qualquer perícia nas armas e com isso ludibriando a lei, pois está prevê que por crimes contra a vida não se pode condenar um grupo, mas indivíduos… Foi necessário, então, intervenção federal para que dois dos criminosos fossem condenados! Haverá num futuro longínquo condenação dos assassinos de 20 de março? Duvido. Cada vez mais crimes contra trabalhadores rurais são arquivados por falta de investigação séria.

Sobre este ato terrorista (que isso é terrorismo contra os defensores de uma reforma agrária necessária à sobrevivência de parte da população brasileira) não teve grande e continuada repercussão, nem mesmo na mídia alternativa. Porque o crime contra militantes do MST já está naturalizado na sociedade brasileira. Apenas sofrem os mais próximos. O restante da população fica sem saber de nada, ou pior ainda, são ideologizados considerando o Movimento algo demoníaco. Há mais de 100 anos até os EEUU fizeram uma reforma agrária!!!

A covardia dos assassinos, a covardia dos mandantes, a covardia do sistema, a covardia da estrutura agrária: tudo naturalizado como bom, como “normal”. Aliás, quando fiz uma observação para amigos alemães (eram crianças na época de Hitler) como é que a população não percebeu o que estava acontecendo, recebi uma resposta que me deixou calado: vocês brasileiros não percebem os miseráveis que vivem nas ruas de suas cidades! Ora, vocês naturalizaram o convívio com a miséria. Os alemães de então naturalizaram como mudança de endereço o desaparecimento de vizinhos.

Não podemos naturalizar assassinatos de trabalhadores. Não podemos naturalizar a miséria. Queiram ou não os covardes mandantes e assassinos de Waldomiro Costa Pereira, outras lideranças emergirão; outras lideranças continuarão a luta, aparentemente inglória, de construir um mundo mais equânime, mais justo e mais humano. 

Textos de Arquivo III: Romaria

 

Nota introdutória

                Este é um exercício de escrever um conto… que não se tornou conto. Irritava-me com a corrida às apostas da loteria esportiva. No último dia de apostas, a conversa ficava insuportável num ambiente então predominantemente masculino, o banco. Publicado no jornal Opinião de dezembro de 1971.

Romaria

                Quarta-feira de uma semana qualquer. Expediente que chega ao fim. Máquinas trabalham. Dedos caminham sobre fichas, num afã de arquivo que se repetirá amanhã, depois, e depois. E a conversa corre, baixa. Sussurrada. Medida.

                – O prognóstico eletrônico diz que o jogo será “zebra”.

                – De modo algum, as chances do Faxinal são ótimas.

                – Mas como podemos acertar treze jogos, se o jogo de Goiás é entre dois times totalmente desconhecidos.

                – Ora, neste jogo, um palpite triplo.

                Eram Sato e João Pedro. Entre uma e outra ficha, entre dois papeis, um comentário esportivo. Uma solução de aposta.

                E o tempo fluía, enquanto o pensamento e as palavras retornavam, constantemente, fixas, imutáveis: loteria esportiva. Tal como a agulha imantada de uma bússula se volta para o polo: enriquecimento rápido, palpite, sorte, dinheiro.

                E desfilavam nomes, jogadores, estádios, times. Brito, São Paulo, Sérgio, Tostão, Mineirão, América… De novo silêncio humano. Metralhar de Máquinas.

                – Achei! Achei!…

                Sato, feliz. Um sorriso luminoso.

                – Será barbada. Preenchemos trinta e dois cartões; fechamos sete jogos; palpites triplos. Em seis jogos… seguimos a lógica.

                 – Futebol não tem lógica! Timidamente argumenta Celso, até então alheio ao assunto.

                – É impossível errarmos. Espero que poucos acertem desta vez.

                Sato já calculava seus lucros, suas aplicações na bolsa, a menina dos olhos.

                E as fichas, uma depois da outra, seguiam para o arquivo. Repetição eterna nos gestos maquinais.

                Sato abandona-as. Febril, preenche cartões. Sua alegria é contagiante. Alegria do sonho.

                E o entusiasmo se alastra. João Pedro fala mais alto que o metralhar das máquinas. Leva a boa nova.

                Todo mundo quer fazer parte do bolo. É a chance de ficar rico… de realizar sonhos… de abandonar as vinte-e-quatro-prestações-que-não-terminam-nunca.

                Em poucos minutos, paralisam-se as máquinas. E na ideia do bolo esportivo, o bolo humano se forma. O dinheiro é arrecadado rápido.

                Alguém se dispõe a levar a aposta… a enfrenar com outros tantos sonhadores de todas as semanas a fila indiana do posto arrecadador. E lá segue o sonho, com papeletas furadas.

                Rapidamente, bem mais rapidamente do que nos dias comuns, os ponteiros atingem a hora de saída. É um alívio menor que o de outros dias.

                Sato, João Pedro e Celso, agora totalmente convencidos de não estar sonhando, saem juntos. Comentam alegres. Sorrisos verdadeiros. Sorrisos de sonhos alegres.

                E a quarta-feira termina.

                Quinta é dia sem novidades. É dia de gestos maquinais. De sonhos não revelados. De realizações em branco. Os ponteiros são mais vagarosos no correr das horas.

Sexta vem, e vai.

                O fim-de-semana. O sábado mole, triste, às vezes cinza. O medo de perder.

                Mas o domingo chega na casa de Sato. A melhora do almoço desapareceu; o cinema do filho foi trocado pela praça comum dos dias comuns. São despesas que desaparecem do orçamento familiar. O mês é mais comprido no fim do dinheiro.

                À tarde. Os olhos estão grudados na televisão. Os ouvidos, nos rádios portáteis. O corpo tenso segue jogos. O pensamento retorna à riqueza fácil a partir de segunda-feira. Os sonhos reaparecem… e os jogos se realizam. Apitos, correrias, juízes, nomes decorados. A inteligência ocupada pelos códigos do ópio, enquanto a essência da vida é chupada pela sociedade vampiro que lhes dá o sonho enquanto lhes carrega a vida.

                Com o fim do domingo, o fim dos sonhos. O propósito de não riscar a vida, arriscando em palpites nulos.

                A segunda-feira sonhada vem triste. Vagarosa.

                Na terça-feira ainda não se deixará levar pelo sonho da riqueza fácil.

                Mas na quarta-feira, o cartão na mão. As possibilidades certas, raras, a riqueza à mão, acessível.

                E a tristeza se torna sorriso no palpite que dopa. 

O golpe é rápido em destruir o que demorou a ser construído

Moreira Franco, o gato angorá que virou ministro para deixar de ser gato, falseia a realidade para canalizar aplausos a si e aos seus. Com a inauguração oficial da chegada da água ao sertão da Paraíba, obra de desvio das águas do rio São Francisco, tornando-o ainda mais o rio da integração nacional como era chamado nos meus tempos de professor de Geografia, sai o ministro a dizer a besteira, mais ou menos nestes termos: Lula e Dilma demoraram 13 anos e não entregaram água para o sertão paraibano; nós em 11 meses fizemos isso!

Este despautério verbal, essa fala inconsequente – aliás, não pensar nas consequências está sendo o trivial das autoridades – me fez lembrar uma situação que vivi nos  longínquos anos da segunda metade dos anos 1960!

Isto porque Moreira Franco repete um obscuro comandante de uma guarnição federal do interior do Rio Grande do Sul (note: naqueles tempos se falava quartel!). Aconteceu. Numa cerimônia de entrega de título de aposentadoria para agricultores do município, patrocinada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Luiz Gonzaga e realizada no principal clube da cidade – certamente alguns dos agricultores beneficiados pela aposentadoria jamais tinham entrado no tal Clube Harmonia – o presidente do Sindicato, em sua fala, rememorava que o Funrural, um recolhimento que se tornou obrigatório na comercialização de produtos agrícolas – tinha sido resultado de uma dura e demorada batalha do Dep. Federal Fernando Ferrari, começada nos inícios dos anos 1960. Naquela solenidade era preciso ressaltar esta luta e a conquista deste Fundo.

Sua fala foi interrompida pelo obscuro comandante militar para nos informar e informar ao Presidente do Sindicato que isso tudo não tinha qualquer valor. Tudo começou depois da chamada Revolução (isto é, o golpe de estado de 1964). Tudo o que era de antes perdeu seu valor. Não existe! Tudo começou depois de 1964…

Em outros termos, o gato angorá repete o obscuro e ignorante comandante!!!  Instaurar uma mentira como verdade é a saída dos golpistas, de ontem e de hoje.

Só que para tanto é preciso esquecer as vaias da inauguração oficial e, sobretudo, esconder e esquecer a inauguração popular presidida por Lula e Dilma com  a presença de mais de 50 mil pessoas. O primeiro “desacontecimento” foi noticiado e ampliado. O segundo acontecimento não houve para a grande mídia brasileira. Aliás, para uma das mais lídimas representantes desta mídia, o jornal O Estado de S. Paulo, não houve a greve do dia 15 de março, nem manifestação: no dia seguinte, em todo o jornal não havia nenhuma linha sobre o movimento.

Assim como o Grande Irmão de Admirável Mundo Novo, toda a história deve ser reescrita. Acontece que os golpistas não são os vencedores na história. Continuaram nela como golpistas, nada mais…

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A Polícia Federal atingiu seus objetivos com a Operação Carne Fraca: a União Europeia, a Coreia do Sul, o Chile: todos já suspenderam a entrada dos produtos do setor exportados pelo Brasil. Certamente os frigoríficos entrarão na justiça exigindo indenizações. Condenado o Estado, pagaremos as indenizações todos nós… e os delegados trapalhões continuarão em seus postos abrindo novas e brilhantes investigações…

Como aconteceu com a Copa do Mundo: a imprensa brasileira alardeou mundo a fora que não haveria Copa!!! E que os turistas que aqui chegassem seriam assassinados… Pois perdemos milhares de turistas!!! Até os restaurantes de Natal acreditaram nos nossos jornais escritos e televisivos. Não estavam preparados para fornecer alimentação para os muitos que vieram!!! Quantos teriam vindo não fosse a imprensa brasileira??? A mesma que deu imediato crédito a PF e a suas inalações indiciárias com base em telefonemas grampeados, sem qualquer análise laboratorial??? Não só a PF é culpada. A culpada maior é a alardeadora imprensa brasileira.