NOMEANDO, de Tária Vitória Ferraz

NOMEANDO, de Tária Vitória Ferraz

Ele chega destruindo tudo…

A alma, o sentimento, o desejo de viver e o coração.

A vida passa mas…

As mágoas de tudo aquilo ficam

Sonhar com um futuro melhor,

Nem sempre é uma boa escolha,

Se você for diferente, não mesmo.

Ele faz as pessoas sofrerem,

Na rua, na escola

Em qualquer lugar que seja

Mas, porém, te deixa dúvidas

No lugar mais seguro do mundo.

E ele tem um nome…

O famoso “Bullying”.

(Mais amor, menos dor: Não ao Bullying. Livro produzido pelos alunos da Escola Estadual José Gonçalves de Mendonça. São Carlos : Pedro & João Editores, 2013)

Heróis demais, de Laura Restrepo

Heróis demais, de Laura Restrepo

Certamente entre Lorenza, a heroína deste romance, e a vida de Laura Restrepo há coincidências. A escritora colombiana foi militante política na clandestinidade (M-19), foi jornalista e exilou-se em Madri. Hoje é professora da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Numa passagem do romance, quase no final, quando Lorenza está no apartamento de Gabriela, sua amiga e antiga companheira de militância, há uma passagem que denuncia esta relação entre o romance e a biografia:

Entre nuvens de vapor e de felpas, ao compasso do barulho da prensa e da máquina, ia e vinha essa conversa carregada de confidências que antes não teriam feito, que certamente não fariam de novo. Os lençóis já bordados e passados iam se amontoando, mas era preciso juntar cada jogo – lençol de baixo, lenções de virar e um par de fronhas – para envolve-lo em papel de seda e guarda-lo cuidadosamente e sua caixa. E foi ali, no apartamento de Gabriela, que Lorenza acreditou ter encontrado o tom que ira permitir que ela escrevesse, agora sim, esse capítulo de sua história. Precisava pôr em palavras essa história até agora marcada pelo silêncio. Sempre soubera que cedo ou tarde teria que encarar a tarefa, não havia mais remédio, porque passado que não foi amansado com palavras não é memória, é espreita. O problema tinha sido como conta-lo, e agora pensava tê-lo descoberto: íntimo e simples, como uma conversa a portas fechadas entre duas mulheres que recordam.

A história: a colombiana Lorenza está em Madri na frente internacional de apoio à resistência à ditadura argentina. É membro do partido trotskista e depois da morte do pai, como se fora uma expiação pelo inalterável, propõe ao partido o trabalho direto em Buenos Aires. Vem como Aurélia, passaporte falso, trazendo dólares e microfilmes a serem entregues a Forcás. É recebida por Sandrita, outra militante, com quem passa a dividir apartamento. Em seu primeiro encontro com Forcás – Ramón Iribarren – para a entrega do material trazido de Madri ficam ambos interessados um pelo outro: química? Amor à primeira vista? Enfim, marcam novos encontros até decidirem viver juntos num pequeno quarto-apartamento num bairro de Buenos Aires. Têm um filho: Mateo. Quando este completa dois anos, ambos decidem que é hora de abandonar a luta contra a ditadura em função da segurança do filho: vão embora para Bogotá, a cidade de Lorenza. Lá o casamento começa a desandar. Separam-se e então acontece o “lance absurdo”: Ramón sequestra o próprio filho e volta com ele para a Argentina.

Este na verdade é o ponto de partida do romance: a mãe em busca do filho sequestrado pelo pai. Neste sentido, o romance adquire ares de romance policial. Mateo já é um adolescente e quer se encontrar com o pai. Mãe e filho viajam para Buenos Aires para procurar o pai. Toda a narrativa está estruturada em três diferentes cronotopos: o presente, que é a busca pelo pai; o passado de militância dos pais e o tempo da ditadura militar argentina que vai sendo contado pela mãe ao filho que quer conhecer o pai e do qual guarda lembrança muito esmaecida de seus dois anos e pouco; e o tempo terceiro do desespero da mãe com o filho sequestrado, em que se podem distinguir: a) o período de desorientação absoluta face ao sequestro, b) o período da espera do contato do sequestrador, c) o resgate do filho.

Estes três tempos e espaços se intercalam ao longo do romance, de modo que o leitor está acompanhando o fio de um enredo, suspende a sequência temporal para entrar noutro tempo e espaço sabendo que retornará àquele recém deixado. Esta técnica de recortes dá uma ligeireza incrível à narrativa e cria um suspense que leva ao leitor a querer saber afinal o que aconteceu no outro cronotopos enquanto está lendo recordações de outros tempos.

Assim, os três fios do enredo se encerrarão mais ou menos juntos: depois da queda da ditadura militar, o retorno a Buenos Aires, a indecisão do filho adolescente em ligar para o telefone do pai, por fim sua ida para Bariloche sem a mãe e de lá seu telefonema para o pai, que vai a seu encontro… a mãe saberá que o pai e filho estão juntos em Bariloche (precisamente onde ela recuperara o filho quando com pouco mais de dois anos) e saberá disso por um telefonema do filho. O casal não se reencontra, mas o filho encontra o pai e com ele fica, dizendo à mãe que seria até o fim das férias… Lorenza volta para a Colômbia mais uma vez sozinha! Mas com a certeza de que não perderá o filho uma segunda vez.

O leitor não só acompanhará a história de uma mãe e seu filho em busca do pai, mas ficará sabendo, através das remessas às atividades clandestinas da resistência, do clima de medo e sobrevivência numa ditadura militar.

Ao compor esta história, a narrativa dá aos militantes da resistência carne e osso, dá-lhes vida cotidiana. São heróis da resistência. São heróis demais: porque deslocados na resistência e para a resistência, quando o inimigo comum cai, novamente se tornam deslocados na vida comum. O sequestro do filho parece ser a única saída que restou a quem perdeu a luta ao perder os inimigos, perdendo também tudo o que sabia fazer: viver na clandestinidade.

Trata-se de um romance de linguagem simples e direta. De uma leitura fácil. Um destes romances que você começa a ler e quer ir até o final de um só fôlego, mas sabe que não conseguirá fazer isso sem paradas para pensar sobre as condições sociais de suas personagens, de seu tempo e de suas lutas.

Referência. Laura Restrepo. Heróis demais. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Monstros à solta

Monstros à solta

Antigamente, bem antigamente, era comum assustar meninos ameaçando com monstros! Quando era criança, nosso ‘monstro’ era a Velha Cancorosa. Na verdade se tratava de uma senhora, bastante alta, descendente de escravos, que conhecia os segredos das plantas. Andava pelos bairros da cidade vendendo chás: folhas, raízes, flores secas. Cada coisa servia para algo.

Carregava tudo dentro de um saco branco! Alta, preta, com um saco: nada melhor para assustar menino. Sempre que me ameaçavam, corria a me esconder. Mas um dos meus irmãos, de quem lembro sempre sentado naquelas cadeiras altas de comer, sempre choramingando sem dor ou fome, quando o ameaçavam com “Olha! A Velha Cancorosa vem aí te pegar!”, ele aumentava o tom do choro manhoso gritando: “Eu quero a Velha Cancorosa… Eu quero a Velha Cancorosa…” E aí não tinha jeito mesmo, era deixar chorar!

Pois não é que os monstros voltaram! E andam à solta por toda parte, dando declarações. Um destes monstros, a que podemos chamar de “Imbecilidade Encarnada”, anda assustando ingênuos. Ataca sempre. Não se sabe bem o que vai atacar naquele momento, mas já se sabe que é monstro de ataque, monstro de rinha.

A Imbecilidade Encarnada tem horror ao pensamento, à crítica, à filosofia, à sociologia, ao jornalismo sério. Quem anda por estas áreas são focos ‘preciosos’ para o monstro. E ela, a Imbecilidade permite ir colecionando suas rinhas e ranços. Por ora, ainda ataque palavroso. Mas um dia a Imbecilidade conjugada a sua familícia, atacará de forma mais firme, assim que o monstrinho de Curitiba conseguir aprovar a autorização de matar, porque a Imbecilidade gosta mesmo é de sangue. Então fiquemos que com nos oferece hoje, prevenidos para com o amanhã:

  1. O presidente da República, Jair Bolsonaro, chamou de “energúmeno”o educador Paulo Freire nesta 2ª feira (16.dez.2019). A frase foi dita em frente ao Palácio da Alvorada, durante a manhã, a apoiadores. O presidente defendia o fim do contrato do Ministério da Educação com a Associação Roquette Pinto, gestora da TV Escola, anunciado na última 6ª feira (13.dez). “Era uma programação totalmente de esquerda, ideologia de gênero”, disse Bolsonaro a respeito da TV Escola. “Tem 1 monte de formado aqui em cima dessa filosofia aí, de 1 Paulo Freire da vida aí. Esse energúmeno aí. Ídolo da esquerda.” https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-chama-paulo-freire-de-energumeno/
  2. Esta é de 03.01.2020. (A gente nem tinha acordado das festas, desprevenidos recebemos o choque da Imbecilidade Encarnada):

“Devemos buscar cada vez mais facilitar a vida de quem produz, fazer com que essa garotada aqui tenha um ensino que vá ser útil lá na frente. Não ficar nessa historinha de ideologia. Esse moleque é macho, pô. Estou vendo aqui, o moleque é macho, pô. E os idiotas achando que ele vai defender o sexo aos 12 anos de idade. Sai para lá”, afirmou o presidente.

“Tem muita coisa, até a questão de livros, botei uma matéria ontem, já começa a mudar alguma coisa. Mas tem livros que eu vou ser obrigado a distribuir esse ano ainda levando-se em conta sua feitura em anos anteriores. Tem que seguir a lei. A partir de 2021, todos os livros serão nossos, feitos por nós. Os pais vão vibrar. Vai estar lá a bandeira do Brasil na capa. […] Vai ter lá o hino nacional. Os livros hoje em dia, como regra, são um montão de amontoado de muita coisa escrita. Tem que suavizar aquilo. Em falar em suavizar, estudei na cartilha ‘Caminho Suave’, você nunca esquece. Não esse lixo que, como regra, está aí. Essa ideologia de Paulo Freire”, acrescentou.

https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/01/03/livros-didaticos-atuais-sao-lixo-e-governo-vai-suavizar-linguagem-a-partir-de-2021-diz-bolsonaro.ghtml

  1. E o recente ataque deste 06.01.2020:

“Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado. Tem de mudar isso. Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente]. Vocês são uma raça em extinção”.

Mas ninguém leva muito a sério a Imbecilidade Encarnada, porque sabe que são imbecilidades… acontece que enquanto este monstro vai largando seus petardos verbais, o clima e o tempo ficam livres para os monstros auxiliares irem jogando o jogo sério: o fim de qualquer risco de democracia nas universidades; o fim dos direitos sociais, o sucateamento de todas as instituições de serviço público e a doação, por preço módico e bom colheita noutros setores mais recônditos, de todo o patrimônio nacional, tudo patrocinado pelo monstro sagrado, o Sr. Paulo Guedes, enquanto se movimenta o monstrinho desmoralizado tentando conseguir autorização para sua polícia matar à vontade (como ainda não conseguiu, para manter a fidelidade dos cães, o monstrinho desmoralizado conseguiu um aumento de salário para a cúpula de sua polícia, um modo de manter a boca cheia enquanto não vem a autorização desejada).

Estas imbecilidades todas me lembrou fatos passados, não só de ‘monstros de susto’ mas também de posições bem comportadas: quando houve a mudança de governo, saindo do neoliberalismo de FHC para o primeiro governo Lula, havia o Programa Nacional do Livro Didático. Imediatamente os acadêmicos que davam pareceres sobre os livros didáticos, faziam as listas dos adotáveis, saíram a campo defendendo que o PNLD era uma política de estado e não uma política de governo!!! Com medo de perder “os contratos e convênios”… defendeu-se uma política governamental como política de estado. E saíram ganhando, não só nenhuma mudança no PNLD, mas também ganharam a continuidade das assessorias no novo ministério, agora petista! Não sei como andam os mesmos acadêmicos acostumados aos corredores dos palácios… certamente ficaram com Dilma (e Fernando Haddad), continuaram com Michel Temer e devem andar às voltas para conseguir argumentos do tipo “política de estado” para estarem lado a lado da Ignorância Bípede, conhecido por Abraham Weintraub.

Mas a surpresa maior me veio de uma entrevista com Luiz Fernando Veríssimo, publicada por Roberto Dias, na Folha de S. Paulo (06.01.2020) em que se faz um jogo: o entrevistador expõe situações atuais para o entrevistado responder como agiriam O Analista de Bagé e sua secretária Lindaura. A surpresa fica por conta da aproximação, feita pelo jornalista, entre “fake News”, este nome pomposo para “mentiras” e a ficção literária. Anotem as perguntas e respostas do escritor:

  1. Quando as fake news ganharam a visibilidade atual, imagino que o sr. tenha pensado algo como “bem-vindos ao meu mundo”. As fake news chegaram a ser engraçadas para o sr.? Se sim, deixaram de sê-lo? Quando? Na medida em que são formas de ficção, as fake news requerem alta dose de criatividade para competir com as news de verdade, estas sim, frequentemente incríveis.
    O Bolsonaro e alguns dos seus ministros são claramente figuras do realismo mágico, mas reais.

Voltando às fake news: elas são literatura? O que as aproxima ou as distancia disso? As fake news que funcionam como fatos falsos e mentiras convincentes obviamente fracassam como literatura.

A simples aproximação entre as mentiras e a literatura, aproximação esta baseada na questão da ficção, assusta! Certamente a literatura não trata do real, não é um reflexo do real, mas sim um real deste reflexo, como disse um dia Badiou. Como as fake News são mentiras, muitas delas mentiras deslavadas, como pode um sujeito que exerce função intelectual, que é um jornalista, aproximá-las como se fossem do “mesmo mundo”?

Estes dois tipos de monstruosidades (fake News postas no campo da literatura, e programas de governo se tornarem política de estado por interesse ‘acadêmicos’) são menos visíveis, mas muito mais assustadoras do que os monstros e monstrinhos que nos governam e nos assustam diariamente.

A INVENÇÃO, de Cícero Souza

A INVENÇÃO, de Cícero Souza

Este é o meu invento:

Com ele estarão extintas todas as dúvidas e certezas:

Este é o meu invento:

Com ele acabaremos, como é desejo de todos,

Com a miséria e os miseráveis, a fome e os famintos.

Este é o meu invento:

Com ele destruiremos o concreto e o torto,

O reto e o abstrato.

Este é o meu invento.

Devemos estar atentos, pois ele estará em todos os lugares:

Nas padarias, nas farmácias, nos mercados, no banheiros,

Nas bibliotecas, embaixo da cama, nos bares, escolas

Praças, escritórios…

Este é o meu invento.

De nada adiantarão as ciências, religiões, poesias, filosofias

Para nada servirão tua indignação, teu grito, teu espanto.

Este é o meu invento.

Será inútil teu sorriso, tua arte, o teu pranto.

Com ele, enfim, exterminaremos com tudo o que resta,

não haverá mais necessidade de sonhos e ou realidade de

tempo ou espaço.

Este é o meu invento.

Ele nos levará ao nada, ao vazio, ao silêncio.

(Cícero Souza, Amor, saliva, palavras. Rio de Janeiro : Editora Multifoco)

O negrinho do pastoreio de Simões Lopes Neto e ilustrações de Vasco Prado

O negrinho do pastoreio de Simões Lopes Neto e ilustrações de Vasco Prado

A lenda do Negrinho do Pastoreio, eu a ouvi contada no galpão de minha casa: quando havia visitas de fora, particularmente um tio que vivia no interior, fazia-se fogo no galpão e até certa altura da noite ficávamos todos em roda do fogo. Os adultos tomavam chimarrão (e provavelmente alguma birita qualquer) e nós crianças tínhamos autorização de ficar por lá, ouvindo os causos. Havia assombrações, havia aparições em cemitérios e havia sempre… O Negrinho do Pastoreio.

Somente muito mais tarde tive acesso a história escrita. Simões Lopes Neto lhe deu versão escrita. Segundo a nota introdutória desta edição, elaborado pelo crítico literário e professor Guilhermino Cesar, isto aconteceu em 1906 com o texto sendo publicado no jornal Correio Mercantil de Pelotas, onde nasceu e viveu Simões Lopes Neto.

A história é bem conhecida, porque é contada muito além dos pampas gaúchos e castelhanos, por onde circulava antes de nascer em escrita. Trata de temas eternos da humanidade: a sovinice do rico (aqui um estancieiro); a maldade humana gratuita (aqui representada pelo filho do estancieiro) e a injustiça dos castigos aplicados a inocentes. E como em todos os heróis, em suas mil faces: as agruras sofridas e o auxílio sobrenatural [A este não deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Senhora Nossa, que é a madrinha de quem não a tem.] 

Eis o enredo: um estanceiro que juntava dinheiro e nada dava a ninguém somente olhava para três criaturas: seu filho, o cavalo baio e o Negrinho. Esta trabalhava desde a madrugada nas lidas da estância. Um dia, depois de muitas negaças, o estancieiro atou carreira com um seu vizinho. Este queria que a parada fosse para os pobres; o outro que não, que não! que a parada devia ser do dono do cavalo que ganhasse.

 

Acontece a corrida e o cavalo baio, com o Negrinho de ginete, perde a parada! Sendo a corrida de trinta quadras e mil onças de ouro, veio o castigo: – Trinta quadras tinha a cancha da carreira que tu perdeste; trinta dias ficarás aqui pastoreando a minha tropilha de trinta tordilhos negros… O baio fica de piquete na sogra e tu ficarás de estaca! Quando o Negrinho do Pastoreio dormia, veio o filho do estancieiro e espantou os cavalos. Depois acusou o Negrinho para o pai. Com a ajuda da vela do oratório para a Virgem, durante noites procurou o Negrinho e reuniu todos os cavalos. Mas mais uma vez eles foram espantados pela maldade do filho. Como castigo, além de grande surra, o Negrinho foi posto morto num formigueiro. No dia seguinte, o estancieiro pensando em encontrar apenas os ossos do infeliz, chega ao campo e encontra o menino em pé, vivo. E lhe aparece a Virgem: cai de joelhos diante do escravo.

E desde então, quando alguém perde alguma coisa, basta acender um toco de vela e deixar à vista, que o Negrinho do Pastoreio pegará a vela e com sua luz encontrará o perdido, deixando-o em lugar visível. Se ele não encontrar, ninguém mais o conseguirá.

Reúne a história todas características do mito: as provas a que é submetido o herói – a carreira e os castigos que sofre o Negrinho; o auxílio sobrenatural vindo da madrinha, a Virgem, com que supera os obstáculos postos pela malvadez do filho do estancieiro e por ele próprio; a passagem do limiar da vida comum para outra dimensão (a morte e ressurreição do Negrinho); o retorno do Negrinho agora trazendo do outro mundo a bênção de poder encontrar tudo o que estiver perdido.

Esta edição primorosa com as ilustrações em preto e branco de Vasco Prado oferece além da beleza da história contada pela pena de Simões Lopes Neto, toda a arte de Vasco Prado! Além de uma introdução assinada por Guilhermino Cesar, grande estudioso da literatura gaúcha.

Referência. Simões Lopes Neto. O Negrinho do Pastoreio. Ilustrado por Vasco Prado. Porto Alegre, Gráf. Metrópole, 1991. Apoio Carrefour. 1ª. edição de 1.000 exemplares numerados e assinados por Vasco Prado.

Assinatura do ilustrador

Assinatura do ilustrador