Ronda Noturna, de Cadão  Volpato

Ronda Noturna, de Cadão Volpato

Os cinco instigantes contos que compõem esta coletânea exigem que, ao final de cada um deles, o leitor dê uma parada para recuperar o fôlego, encontrar no enredo o que lhe ultrapassa para chegar ao tema que cada história contém. O imponderável do cotidiano, a alma humana que se desvenda nos detalhes, sem que o autor caia em qualquer julgamento moral, deixando ao leitor que suas próprias entonações valorativas emerjam.

Obviamente o não julgamento do autor não quer dizer que ele simplesmente não entoe suas histórias: criá-las, inventá-las e expô-las à leitura é já uma entonação avaliativa. Há uma diferença entre a valoração e o julgamento moral das “personas” que circulam nos textos. Esta virtude de oferecer algo ao leitor para que ele saia da leitura enriquecido pela experiência estética e pela reflexão que ela provocou é próprio de grandes autores ou de autores que “trabalham” seus textos antes de lhes dar à luz, de modo a desdobrar a linguagem e a história em suas múltiplas: da superficialidade do enredo à profundidade dos sujeitos que se locomovem na vida criada pela ficção.

O primeiro conto, Lotte, acompanha um cotidiano de uma jovem estudante de curso noturno, que durante o dia faz curso de datilografia. Filha de mecânico (Hans), moradora de arrabalde, sonha para além do que seu contexto lhe oferece. Leitura de revista intelectualizada (Senhor), carregando consigo uma edição alemã de Os sofrimento do jovem Werther, ela vive também às voltas com desejos e anseios. Sua madrasta praticamente a detesta, mas ela descobre seu segredo: um amante que é empregado do próprio marido. Seguindo-o, descobre um carro [roubado] de que ele retirava peças e entregava ao patrão sempre que este precisasse de algo, dizendo que achara na rua…

Este carro será o refúgio da jovem, para onde transfere suas revistas e revistas pornográficas que furtou do pai! O trágico da história será a morte do pai por enfarto. Desesperada, foge para seu refúgio. Sabe que sempre foi observada por seu “Werther”. Queima as revistas e o livro. E chama seu colega de datilografia, baixa as calcinhas e abre lentamente as pernas… Deste conto, seleciono: Costumava trancar-se no banheiro com as revistas abertas sobre os joelhos, a calcinha arriada, e lá passava horas pensando. Horas, não. Porque a madrasta logo vinha bater na porta para que ela desocupasse. Só o pai compreendia sua prisão de ventre, mas ele nunca estava. Lotte desde cedo entendeu que liberdade tinha a ver com você ser dono do próprio banheiro.(grifo meu)

No segundo conto, A sagrada família é um imenso dente podre, o narrador é o filho de um casal recém-separado. O pai, um jornalista comunista, separa-se da mulher, uma católica praticante. Haviam marcado viagem de núpcias com atraso, e com a separação, o filho substitui a mãe. Obviamente, o pai ainda está apaixonado pela mulher e seguidamente diz que “o amor é mesmo uma merda”. O ambiente do conto é Barcelona [O novo mundo para mim era Barcelona e não aquele que o dedo de pedra de Colombo apontava no mar, ao final das Ramblas].

No conto, o filho recorda que o pai continuava panfleteando mesmo durante a ditadura o que incomodava a mãe; recorda também sua primeira comunhão a que o pai não comparece, mas leva mãe e filho para a igreja e os busca no final da cerimônia. Nos passeios pelo Bairro Gótico de Barcelona, chegam à Igreja de Nossa Senhora del Pi, e o pai devotamente ora diante da imagem da Virgem, o menino percebe que ele lhe dá uma piscada e compreende o recado: era preciso dizer à mãe que o pai se convertera [ainda que isso não fosse verdade].  O título vem de uma frase atribuída a Dalì, crítica feroz ao modernista Gaudì que teria enchido a cidade vários dentes podres…

Constelação é um conto cinematográfico! Um roteiro de filme poderia sair dele. Trata-se de um grupo de pobres coitados que resolvem, sob a liderança do “velho” que constitui o grupo. Graças a sua semelhança física com Marighella, o projeto executado era fazer um assalto ao um banco atribuindo-o ao grupo comandado por Marighella. Assim, começa o estudo de como eles faziam um assalto; as companhias imprescindíveis de uma mulher (loura) e de um jovem intelectual (estudante). O grupo é constituído, mas o jovem fica doente, com febre alta e não consegue participar do assalto. Fica na casa, enquanto os companheiros realizam a ação bem sucedida. Depois fogem para Santos. O “velho” já planejara: seus cúmplices ficariam com seus familiares por um tempo, depois cada um iria para seu lado. O que caracteriza este conto é a agilidade da ação, mas o leitor não a acompanha em seu desenrolar, mas fica preso ao quarto com o jovem doente: este jogo paradoxal é que dá ao conto sua ligeireza e originalidade: a ação pressentida pelo ausente parado.

O Professor da noite.

Dividindo a casa com um amigo (Athos), vive o professor em seu quarto. O conto se inicia com o personagem tendo um pesadelo: estava sendo entrevistado na TV, justo ele que não assistia programas de televisão há muito tempo. Durante a entrevista, o apresentador chama uma convidada inesperada: a Vênus Anadiômene (adiante se saberá porque ela aparece no sonho: ele lera no livro de Rimbaud o poema da Vênus Anadiômene, que aparece nua, de costas, indo para o banheiro). Acorda. [Foi com a mão na boca e erguendo um fio de baba do travesseiro que ele despertou, enfim, da sesta incomum que acabou só no final da tarde]. Na sala em que encontra Athos, na janela, está uma gata com um rato na boca…uma oferenda para o Professor, segundo Athos. Este tem uma namorada: Nice. Certa noite em que ela e o professor bebiam no Bar do Chileno, ele não lembra se antes ou depois de falarem em dormir juntos, ela o roçava com pé por baixo da mesa do bar. Enfim, nesta noite em que Athos vigiava o local do jornal trotskista, eles foram para a cama. Mas ficou nisso: na verdade, o tema deste conto é a paixão platônica do Professor por Paula, que lhe apareceu a primeira vez num show do Cartola no Morumbi; voltou a ver em outro show ainda de Cartola no Colégio Equipe; depois ela aparece no seu bar, o Bar do Chileno, com uma turma de atores que ensaiavam a peça Marat-Sade. Ela vinha com o namorado, e graças a ele , o Professor aprende o nome de sua amada: Paula. Muda seu comportamento, passa a usar cachimbo com baforadas à Sartre. Quer chamar atenção, mas não consegue. O conto se encerra com ele voltando para casa, numa das muitas noites de bar, em que deixou o cachimbo em cima da mesa. Na rua se contra com a gata que caça um rato. Acompanha a caça bem sucedida da gata… Como se pode notar, há um jogo simbólico constante: a gata e sua caça [o Professor e Paula]; a oferenda da gata [Nice]; o sucesso da gata/o insucesso do Professor na caça. E o desdobramento em dois ambientes de circulação efetiva – a casa e o bar – e dois outros apenas referidos – a escola e o lugar dos shows. Também aqui as dicotomias se reproduzem no mesmo par dicotômico entre o ofertado e o pretendido.

Ronda Noturna, que dá título à coletânea, é o conto estruturalmente mais trabalhado. Em formato de “moisaco”, vai apresentando cenas insólitas vividas pelo mesmo personagem, um senhor já maduro, cujo nome – Castilho – somente vai aparecer no final do conto, no quarto episódio deste mosaico.

1. No bar em que toma seu drinque despenca o ventilador sobre a máquina de café – o susto, o inusitado da cena, a bebida perdida e a bebedeira curada pelo susto, como se verá depois, ventiladores de teto terão presença em outras cenas.

2. A vida de casado que passa a ter depois de dormir algumas noites com uma garota muito nova, de dezessete anos que engravidou e o torna pai. A cena trágica aqui será novamente num bar, em que o pai brinca com a criança jogando-a cada vez mais alto até que ele bate a cabeça na pá do ventilador, machuca-se e é levado para o hospital. O fato separará o casal, a mulher envelhece e passa a ter vida somente como mãe cuidadosa.

3. Em dia de sol forte, vê na rua um mendigo ferido e fica olhando e ao perceber o incômodo que causava ao outro, resolve entrar no prédio. Havia consultórios. Ao porteiro citou o primeiro nome que viu na placa: Dr. Lutz. Um oftalmologista. Faz a consulta, o médico nada encontra em seus olhos, mas lhe diz que o problema estava na cabeça. Num teste, manda-o colocar os óculos que estava sobre a mesa e que fechasse os olhos. O que via? Vejo uma porção de pás girando no vazio, no sentido horário, mas também no anti-horário, em movimento simultâneo. Brancas em fundo negro. Brancas em fundo azulado. E nas cores múltiplas de uma aurora. Marrom, azul, cinza, violeta, rosa, laranja, vermelho. Cruzou os dedos sob o queixo e pergunto, intrigado. O que será que quer dizer isso? Hein? O médico lhe sugere uma viagem…

4. Antes de se iniciar a segunda parte do conto, há uma passagem em que se recupera outra viagem em que o personagem havia conhecido um suíço em Machu Picchu. Tornaram-se amigos e mantinham correspondência. O suíço casara com uma holandesa e vivia em Amsterdan. É para lá que ele segue em viagem, hospedado pelo amigo e sua mulher Lili. Em Amsterdan convive com o casal, vai a uma festa em que de tudo acontece – celebrando o lugar comum de Amsterdan como o lugar da liberdade e da libertinagem livre. Aprende já velho a andar de bicicleta. Começa sua ‘ronda noturna’ andando de bicicleta pelas ruas de Amsterdan.

Este conjunto de contos instigantes de Cadão(Carlos Adão) Volpato, paulista, professor de língua portuguesa, apresentador do programa televisivo Metrópolis (TV Cultura), músico com alguns álbuns disponíveis, não é filho único do autor. Escreveu e continua a escrever. Assim, ficam na mira do leitor outras obras, como A Sombra dos Viadutos em Flor; Os Discos do Crepúsculo; Pessoas Passam pelos Sonhos. Lendo Ronda Noturna, aguça-se a curiosidade pelos outros livros…

Referência. Cadão Volpato. Ronda Noturna. São Paulo : Iluminuras, 1995.

Vinde a mim os que têm fome e sede de justiça

Vinde a mim os que têm fome e sede de justiça

Cuidado com o que pedes, eu diria. Um texto curto, para leitores apressados por novas informações, para momentos que exigem urgência de atos. Um tuíte que dê conta de carregar nossa insatisfação com os acontecimentos e ser um ato de organização de gritos represados. Atentem-se para como funciona o twitter: pessoas com nomes e imagens fictícios ou não, se expressam livremente sob a regulação de 280 caracteres.

E parece que os pequenos textos, assim como as manchetes das matérias funcionam muito bem. Tenho dificuldades em exercer meu poder de síntese, aliás, penso que meus textos são muito repetitivos, e chatos, e monótonos. Uma amiga costumava dizer que eu só conhecia a vírgula, nunca o ponto final. Preciso de textos maiores. Minhas pedrinhas preciosas.

Insisto em esperança, e agora de novo acredito que ela poderá vencer o medo. É como se pudéssemos enfim acreditar diante das últimas revelações da política do nosso país que a justiça enfim assumirá sua responsabilidade, e a igualdade essa palavra tão maculada será enfim colocada na vitrine.

A quem a gente quer enganar? Uma classe social sempre conheceu as mazelas da justiça, seus diferentes olhares e várias ponderações de acordo com a classe social, a boca quase miúda as pessoas, as mais simples e populares, sabem bem que justiça é para poucos e que se mostra racista e machista, mas, sobretudo, elitista.

Muitos casos ocupam os noticiários dando conta de crimes cometidos por pessoas bem-nascidas, e sobre com as penas podem ser abrandadas, postergadas, não cumpridas nesses casos, em contraponto os mesmos crimes cometidos por pessoas negras de origem popular parecem piores do que os mesmos crimes das pessoas brancas.

Acostumamo-nos com a coisa das provas plantadas, das trocas de tiros, dos justiçamentos, desde que sejam aplicados a pretos e pobres.  Então não era de se espantar que a justiça agisse produzindo provas contra o presidente Lula, e o pior uma vez que não conseguirão produzir provas, e eu já espero as notas da reforma do Triplex, aquelas que são de uma empresa de Curitiba e que nunca foram feitas, aparecendo nas conversas.

Prenderam Lula, e por quê?  Não é uma resposta simples de tal sorte que tenho pistas. Não certezas e tampouco convicções. Lula tornou-se um símbolo, muito pior do que o socialismo ou o comunismo. A ascensão de Lula é dar voz e vez para um filho de pobres, nordestinos, encardidos e negros, analfabetos, ou mal letrados e periféricos, eu disse pobre?  Daqueles que conhecem a fome.

Uma pessoa capaz de destruir a barreira invisível sob nossas cabeças, e sendo assim dizer para seus iguais: esse texto pode ser destruído, organizem-se, lutem, acreditem. É uma mensagem muito forte. Iludi-se quem pensa que apenas a direita sente desconforto com essa representação.  Lembro-me quando a escolha do nome de Haddad para substituir o de Lula – uma vez que como hoje já se sabe a operação deflagrada com esta finalidade o proibirá de disputar e vencer as eleições.  

A escolha que seria normal, um proforma, passou a ter um viés estranho, começou-se a campanha trazendo as qualidades do candidato que sendo bem nascido, estudado, intelectual, pertencente aos redutos acadêmicos, além de paulistano seria não só um substituto, mas um candidato até melhor do que Lula. E diante disso, numa pegadinha a direita jogou a isca e fisgou. Não servia ser o poste de Lula. Muitos veem nisso que digo exagero da minha parte.  E talvez tenha mesmo exagero, como sempre são exagerados e dramáticos, mimizentos os pobres.

Sequer sei se as definições dessa linha da campanha foram dadas por ele, geralmente os candidatos majoritários não coordenam essas áreas. E, é certo que Haddad fora escolhido por  Lula, não para ser ele, mas para ser candidato a presidente. A denúncia aqui é da apropriação que pessoas de esquerda fizeram do Lattes, uma corrida quase que desesperada para ter um candidato enfim “limpinho e cheiroso”.

Enquanto eu, que tenho tantas fomes, me apegava a definição de Carolina de Jesus sobre as virtudes de um político que seria colocar a fome no centro da discussão política, sendo necessário para tal te-la conhecido de perto, tendo passado por ela e sendo fruto de todas as misérias humanas, um discurso e uma prática que só tem quem já passou fome.

Vejam, Carolina de Jesus sabia bem do que falava, um exemplo é que ao tomar posse Lula falou sobre garantir comida aos que tinham fome, garantir três refeições. Muitos torceram seus narizinhos,  para muitos isso era muito pouco, mas a verdade é que desses muitos, poucos já sentiram fome.

Então, sei que não posso/devo esperar muita gente amanhã nas marchas, por que muitas delas ainda não podem entender o amanhã sem luta, porque é preciso garantir o hoje, tenho que saber, entender e lutar por pessoas que estão diante da situação concreta em que não ir trabalhar pode significar a perda de seus empregos e a falta de alimento na mesa dos seus filhos.   Os que têm medo não do futuro mais do presente, e da urgência tem meu mais profundo respeito.

O texto de hoje é sobre o amanhã. De novo convido, sempre insistindo em meus tempos e crenças, em minhas mediocridades e poucas compreensões, mas antes tomo emprestado as palavras de Nacide Hanin ( que é muito mais convite do que meu texto afinal e talvez até coubesse nos 280 caracteres do twitter):

“Não estamos com medo, porque sabemos que para ver o alvorecer é preciso passar pela noite escura”

E é disso que se trata afinal: não querer que as pessoas vivam sem o mínimo, sem liberdade, sem acreditar que pode ser diferente, que todas as pessoas tenham segurança de que não passarão fome, não querer que as pessoas se sujeitem ao pior sob o risco de não se ter o que comer amanhã. Que os desempregados, os estudantes, as juventudes, os professores, as mulheres, as negras e os negros, os pobres, marchem! Sabendo que muitos que não estarão ali não estão porque não sabem o que lhes reservam as elites: banqueiros, ricos empresários, e outros privilegiados. Não sabem, e sem saber, e sem confiar na certeza do novo alvorecer continuarão suas marchas como bois para o matadouro.

Luzes de esperança – As juventudes nas ruas

Luzes de esperança – As juventudes nas ruas

“Quando temos 20 anos,
Somos incendiários,
mas depois dos 40
nos tornamos bombeiros”.

Assim falava e escreveu o escritor polonês Witold Gombrowicz.

De imediato, nos deparamos com uma dúvida e uma pergunta atrozes. É verdade? É verdadeiro o escrito do escritor? E porque ele escreve o que escreveu? Para quem e em quais circunstâncias escreveu? Porque aos 20 anos somos corajosos e combativos, encaramos os poderosos e autoritários sem medo, e quando passamos dos 40 anos nos acomodamos, nos omitimos, possuídos de medos dos mandões autoritários?

Aqui precisamos aprender com a história, examinando os movimentos das forças em confronto, a luta de classes sociais, as armas de dominação e de insubordinação das organizações em suas relações sociais, políticas e militares.

A atual situação política do Brasil, sob o comando da truculência – nada inteligente – de um governo autoritário de extrema direita conservadora, requer e exige movimentos de organizações cidadãs de muita força de protestos e contestações públicas.

Na história mais recente da humanidade, a juventude teve e continua tendo um papel, uma tarefa, importantíssimos, poderosos e imprescindíveis frente às crises sociais, políticas, econômicas, culturais, impostas por governos imperialistas, fascistas autoritários.

As juventudes, principalmente as estudantis, nas ruas, nas avenidas, nas praças, nas universidades, demostraram força e coragem nas mobilizações e manifestações públicas contra políticas antidemocráticas.

As barbáries políticas de governos de extrema direita populista estão crescendo em quantidade e brutalidade no mundo inteiro, em intensidade e velocidade assustadoras.

O avanço da barbárie interna e externa é assustador. Mas, na história há sempre o lado contrário, a parte oposta dos fatos e acontecimentos. As adversidades internas e externas provocam desafios monumentais. E é aqui que a força das juventudes em suas diversidades estudantil e trabalhadora se rebela contra as barbáries políticas e ideológicas das elites do capital.

Neste momento, não dá para desconhecer e esquecer a força dos estudantes no final da década de 1960. No início o mês de outubro de 1968, um fato deixou marcas profundas na história do Brasil – e por pouco não se transformou em tragédia social – o Congresso da UNE, organizado e realizado clandestinamente no município de Ibiúna no Estado de São Paulo. Cerca de mil estudantes universitários e secundaristas, provenientes de todo o Brasil, confinaram-se nas matas do sítio Muduru, nas encostas da serra de São Sebastião, no município de Ibiúna.

Em condições tragicamente precárias de sobrevivência, com pouca comida, sem água, sem agasalhos, sem abrigo, dormindo literalmente na lama em meio à mata por diversas noites, isolados naquele recanto da floresta, discutiam ações e estratégias organizacionais da UNE e dos estudantes para enfrentar a ditadura em todo o território nacional. Aquele evento é um exemplo inédito da história de lutas da juventude estudantil para combater o autoritarismo de um governo.

Agora, os ataques bárbaros à educação pública pelo governo atual da “necropolítica” – deixa morrer pessoas que não são rentáveis” (Clara Valverde, por Cândido Grzybowski) – com corte de verbas às universidades, à ciência e a cultura, estão provocando a reação dos estudantes. Os movimentos de protestos dos últimos dias dos estudantes nas universidades, nas ruas, avenidas, praças em centenas de cidades Brasil afora, é uma prova, um sinal real da quebra da letargia política das juventudes estudantis.

É no movimento, na organização social, que as juventudes tomam conhecimento, constroem consciência e descobrem que nelas – as juventudes estudantis – residem as forças transformadoras desta sociedade e as forças de superação deste governo das barbáries, mantido e sustentado pela harmonia dos múltiplos poderes.

A esperança da transformação nasce, brota e cresce nas forças das juventudes e ações sociais organizadas. Estas juventudes precisam chamar para as ruas até os que votaram no Bolsonaro e que continuam apoiando seu governo desastrado.

Um juiz que afirma o que está em investigação, é juiz?

Um juiz que afirma o que está em investigação, é juiz?

Por oportuno, e a pedido do autor, republicamos a crítica ao que agora é mais óbvio do que já era então. Moro e Cia. não julgavam nada. Faziam política da pior espécie perseguindo seus inimigos. Seu INIMIGO.

João Wanderley Geraldi, em de 5 de março de 2016, neste Blog

Ninguém está acima de investigações, nem ex-presidentes da República, uma vez tenha havido qualquer denúncia. Portanto, afirmo desde já que Lula deve ser investigado, como diversas vezes já afirmei aqui. Também reafirmo que o compromisso com a ética era fundamental quando se fundou o PT, fundação de que participei desde os princípios. Infelizmente o poder corrompe. Da picada da mosca azul ninguém está livre, mas a resistência a ela deveria fundar as ações do governo petista.

Mas daí não vai que seja favorável à espetacularização da justiça. Nem a vazamentos prévios, que levam o Jornal Nacional, infelizmente ainda assistido por grande parte da população, a dedicar quase integralmente seu tempo a uma reportagem sobre investigações a propósito de Lula, para na manhã seguinte a PF levá-lo sob vara para depor. Muitos juristas já se manifestaram sobre o assunto, incluindo o ministro Marco Aurélio Mello, STF. Até o Gilmar Mentes desconversou e não apoiou correndo a determinação do juiz Sérgio Moro. Claro, Eliane Castanhede, que é “notável jurista” enquanto jornalista da “massa perfumada”, já se manifestou e foi diversas vezes ao ar na BandNews dizendo que a condução sob vara era legal, legítima. Entre esta notável ‘jurista’ e Marco Aurélio Mello, fico com este último. 

Mas hoje leio no Estadão (um jornal que a direita não pode condenar) uma passagem que a imprensa, os jornalistas de plantão no aeroporto de Congonhas, o JN, e nem mesmo o Estadão que deve ter deixado passar um parágrafo perigoso para si chamou atenção. Deve ter sido um engano a publicação.

Todos sabemos que há duas questões em investigação sobre Lula: a propriedade do sítio de Atibaia (que parece pertencer ao filho do Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas e amigo de Lula desde os anos  1970 na luta sindical) e do triplex em Guarujá, aliás desocupado até agora. A segunda questão da mesma investigação tem a ver com as benfeitorias e reformas feitas nestes imóveis, por empresas que estão sob investigação da Lava Jato. Trata-se, portanto, de investigação. E foi para prestar esclarecimentos que Lula foi levado sob vara à PF que se deslocou para o aeroporto de Congonhas. Se chamado a depor em espetáculo mediático, é porque a PF (e o juiz Sérgio Moro) queriam informações sobre as questões em investigação.

Pois hoje publica o Estadão parte do despacho do juiz Sérgio Moro. E pasmem: ele afirma que os imóveis cuja propriedade estão em investigação, tem proprietário já definido. E isto num despacho do juiz que julgará o caso quando do término da investigação. Diz Sérgio Moro que Lula “teria recebido benefícios materiai, de forma sub-reptícia, de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, especificamente em reformas e benfeitorias de imóveis de sua propriedade“. Sem qualquer ambiguidade, o “sua” se refere a Lula. Logo, resta a pergunta: por que investigar a propriedade se antes de seu término já está decidido pelo juiz quem é o proprietário. Um tal juiz ainda é juiz? Ou é um político? Com uma afirmação deste teor, o juiz Sérgio Moro se desqualifica explicitamente. Com Bresser Pereira, um dos fundadores do PSDB e ex-ministro de FHC, concordo que o STF vai ter que colocar as coisas nos trilhos jurídicos nesta operação, que fere o direito em comezinhas ‘mínimas’, como o sigilo dos depoimentos para os advogados dos delatores… Categoricamente, Sérgio Moro não é mais juiz, é ator de uma comédia jurídica. 

Uma vez li um livro sobre comunicação social(não lembro título e autor) que mostrava como jornalistas conseguem fazer passar informações mesmo quando estas informações não deveriam ser ‘publicadas” segundo os donos dos meios de comunicação. Acho que aqui houve o caso! Algum redator fez a citação, o editor de política não percebeu ou não leu! Correm o risco de demissão, que não será política, será ‘técnica’. 

 

Bozo abusa das ameaças

Bozo abusa das ameaças

Desde que por voto da maioria dos brasileiros a extrema direita subiu a rampa do Planalto, acompanhada como sabemos hoje pelas milícias com que convive a família que se pensa imperial, “fui decidido” que não falaria diretamente de política já que o enfrentamento, como sempre sucede, deve se dar nas mãos dos jovens. E como se viu foram os jovens que foram para as ruas em defesa de seu futuro.

Comportei-me surpreendentemente bem: escrevi textos sobre o cotidiano, olhei para os quero-queros, descobri histórias entre os corvos, entre os abutres… mas chega um tempo em que o sentimento implode e não aguenta deixar calada a razão. Se esta diz que há que cuidar de si, ela também diz, junto com Giordano Bruno, que “o silêncio indigno de peixes” torna os movimentos de individualismo que fazemos também indignos. Afinal, sempre repeti a máxima bakhtiniana: “não há álibi para a existência”.

E hoje chegou meu tempo de BASTA! Estamos vivendo sob um governo de destruição e de ameaças constantes. E orquestradas. Sintonizadas. Quem começa pode ser qualquer um: o pai Bozo ou um dos filhos; o número 1, o número 2, o hoje acuado número 3, recolhido aos corredores do senado escondendo-se das investigações que descobrem suas falcatruas antes de chegar ao Planalto.

O número 4 é aprendiz. Por enquanto, apenas namora todas as meninas do condomínio, garantindo que não há qualquer relação especial entre o miliciano vizinho, dono de 117 fuzis, acusado de executor de Mariele – solto pela justiça, já está em liberdade. Só apareceu aí para dar conta de que o namoro dele com a filha do miliciano vizinho não significa que existem relações entre as duas famílias (ainda que fotos do pai abraçado com o miliciano estejam à disposição de quem quer ver).

Quanto à filha… ora, como sabem, foi produto de uma “fraquejada”. É um zero à esquerda, não tem voz nem vez. Afinal, ao Bozo só interessa reproduzir portadores de pintos (alguns detratores dizem que há obsessão por pintos na família). Que galinheiro aguenta tantos pintos?

Até há uma semana, a Reforma da Previdência era cantada em prosa e verso e traria o emprego, o desenvolvimento, a retomada da economia… tudo. O Posto Ipiranga tem até planos de levantar a economia, mas ameaça como seu patrão: só os concretizará se a reforma for aprovada.

E como Paulo Guedes é a voz do neoliberalismo mais tacanho, a “família imperial” já nem precisa mais ameaçar que o país vai quebrar se o Congresso não aprovar o que o Posto quer (para os bancos, para o seu banco, o BTG Pactual que deveria ser proibido de receber a chamada “capitalização” para gerir, porque seria legislar em causa própria). Isto já estão fazendo os urubólogos de sempre na imprensa oficial e oficiosa. E os congressistas estão acuados, mas reagem.

Mas este final de semana a ameaça foi iniciada pelo Imbecil mor. Se não aprovarem o PLN 4 – a transferência de todos os recursos da seguridade social e outros tantos para o ministério da Economia, deixando-o livre para gastar segundo seus anseios – não haverá mais pagamentos para aposentados, dependentes, servidores e todo mundo a partir do dia 25 de junho!!! O pai ameaçou, lá veio o Carluxo chamar os generais para a briga, para a defesa do Papai presidente. E enquanto isso se tornou o foco da imprensa alternativa, Papai recebeu o corregedor da justiça para uma conversa de pé de ouvido sobre as investigações contra o número 4, com a presença deste no palácio…

Aliás, o Palácio anda muito mal frequentado. E quem mais gosta de andar por lá é um sujeito que exerce a presidência de outro poder, mas que não passa de um bajulador de qualquer fascista que esteja a seu alcance, seja ele o presidente, seja ele um assessor de seu supremo. O problema é que ameaças geram reações. Os ameaçados, mesmo temendo, podem cansar das chicotadas, isto é, das twittadas porque os ameaçadores não tem capacidade para muitos toques no teclado (terão força além das redes?)        

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“FIM DO BOLSA DITADURA. Parabéns Min. @DamaresAlves ! Já foram gastos bons bilhões nessas indenizações e pensões, maioria concedidas aos “amigos do rei”. Reconstruir o país leva tempo e quem mete a mão na massa por vezes é atacado, mas estamos aqui para defender o certo, o justo”, publicou Eduardo.

MOROGATE, o ministro que queria ir para o STF!!!

MOROGATE, o ministro que queria ir para o STF!!!

Não aguento. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Estou rindo à toa. Estou rindo à toa. Caiu a ficha?

Quando neste blog afirmei que um juiz que faz parte da investigação não pode julgar, estava acertando sem ter as provas. Agora temos as provas e o tal de Moro e seu acólito Dallagnol não passam de criminosos chicanistas! Fizeram e aconteceram.

Não conseguiram apenas abocanhar os milhões para a tal Fundação, porque aí o escândalo ficou muito evidente. O que não se sabe ainda é se há outras cifras monetárias ou cifras morais envolvidas neste escândalo que já está sendo chamado de MOROGATE.

Afinal, agora que a ficha caiu, talvez se investigue a denúncia de Tacla Durán dos 5 milhões e o pedido para dar um desconto, mas que o advogado disse que precisava consultar o DD… Claro, na época a grande imprensa interpretou que DD é relativo ao número de chamadas à longa distância… kkkkkk

Não consigo parar de rir à toa. E agora o Bozo que quer nomeá-lo de qualquer modo apesar da promessa aos evangélicos de enviar para ao STF um pastor qualquer, um bispo (quem sabe Edir Macedo? Ele não é formado em direito, mas não faz mal, ele é mestre e doutor como o é a ministra Damares, aquela da goiabeira).

Ficou urgente mandar o Moro para frente… que se cuidem os atuais ministros do STF (menos o Barroso e o Fux, que estes não correm risco) de algum acidente nos próximos dias que lhes roube a vida para dar conta de levar logo o Morogate para lá, neste cargo vitalício!

Kkkkkkkkk. E viva quem furou o sistema e deixou a gente saber de tudo, com provas… que obviamente os “juízes” como o Dias Toffoli vão considerar inválidas. Afinal, Toffoli não passa de um lambe-botas do Bozo e fará no STF o que o Bozo quiser que faça, ou seja, nunca vai agendar qualquer julgamento sobre o escândalo que hoje se abate sobre o Brasil, com repercussão no mundo inteiro.

Kkkkkkkkkkkk

Vamos rir. A seriedade do fascista Moro ruiu…………. kkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkk