Em homenagem a Lula e ao ‘reino’ perdido

O reino

Celso Emilio Ferreiro

No tempo aquil

cando os animales falaban,

decir libertá non era triste,

decir verdá era coma um río,

decir amor,

decir amigo,

era igoal que nomear a primavera.

Ninguén sabía dos aldraxes.

Cando os animales falaban

os homes cantaban nos solpores

pombas de luz e xílgaros de soños.

Decir teu e meu non se entedía,

decir espada estaba prohibido,

decir prisión somente era unha verba

sin senso, um aire que macaba

o corazón da xente.

 

Cando?

cando se perdeu,

iste gran Reino?

(in. Antoloxía. Biblioteca das Letras Galegas. Edição de Antonio García Teixeiro.  Vigo : Edicións Xerais da Galicia, s/data)

Tradução livre

O reino

Naquele tempo

quando os animais falavam ,

dizer liberdade não era triste,

dizer verdade soava como um rio,

dizer amor,

dizer amigo,

era igual a nomear a primavera.

Ninguém cometia erros.

Quando os animais falavam

em seus gemidos, os homens cantavam

pombas de luz e velas de sonhos.

Dizer teu, meu não se entendia,

dizer espada estava proibido,

dizer prisão, era somente uma palavra

sem sentido, um ar que manchava

o coração da gente.

 

Quando?

Quando se perdeu

este grande reino?

(Tradução: Wanderley Geraldi)

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