GLOBO: um batalhão de repórteres para manipulação

Carmen Lúcia homologou as delações dos executivos da Odebrecht. Mas manteve em sigilo para ter uma carta na manga toda vez que precisasse emparedar o Congresso Nacional. Estando tudo em sigilo, somente o MPF, juízes e ministros do STF tinham acesso às delações, de modo que todos os políticos ficavam sem saber se seu nome estava lá… Uma boa razão para se comportar segundo deseja o regime jurídico-midiático em vigor, sempre com o apoio dos cães de guarda, as polícias federais, estaduais, municipais.

Mas agora se espera que o ministro Fachin, novo relato da Lava Jato, suspenda o sigilo. E pelo sim e pelo não, a rede Globo já destacou um batalhão de repórteres para lerem, ouvirem a montanha de depoimentos.

Segundo um destes repórteres, enojado com a instrução explícita de que deveriam registrar toda vez que aparecesse o nome de Lula ou Dilma ou de outro petista qualquer, para alimentar as edições de jornais diários e o GloboNews, a fim de que a emissora pudesse bombardear o público levando-o a crer que somente há corruptos entre petistas.

Quanto aos outros denunciados, deixar de lado para depois. Primeiro é preciso fazer o ataque ao inimigo mortal, o responsável por tudo como foram responsáveis por tudo os judeus no discurso da Alemanha nazista. Usando do mesmo subterfúgio da propaganda nazista, da seletividade na informação de modo a trair os fatos – e as falas dos depoentes, no caso – a rede Globo não só mostra que altera os fatos, que edita as matérias, que imbeciliza o povo brasileiro que ainda a vê/escuta, mas, sobretudo, mostra que seu modo de agir é idêntico ao comando da propaganda nazista.

Infelizmente, a gente já sabe: ter vazado a informação não do batalhão de repórteres, mas da instrução de escuta que receberam, causará agito entre os figurões da Globo (no caso, a ordem partiu de uma “figuroa”), mas um fecho cerrado para descobrir quem deu a informação “secreta” de um modus operandi nada secreto para quem tem ouvidos para ouvir e olhos para enxergar.

Descoberto, o jornalista será demitido. Bem que a Globo preferiria a existência de algum campo de extermínio para enviar para lá o dito “vazador” que não é o japonês da polícia federal de Curitiba! No entanto, o jornalista prestou um favor à nação. A gente já sabe que o bombardeio virá e que Aécios, Geraldos, Serras, Temer, Padilhas, etc, etc, etc serão poupados, principalmente nos primeiros dias, para que a onda de ódio ao PT ressurja fulgurante como deseja esta emissora que nem teme a pós-verdade, porque se ela vier, será por sua voz.

E teremos um William PitBonner com cara deslavada anunciado a “verdade”, somente a “verdade”, nada mais do que a verdade de hoje segundo os interesses políticos de uma emissora que não conseguiu sobreviver em Mônaco porque não tinha as tetas governamentais com que se nutrir! O apresentador do JN de 1989, Sérgio Chapelin é hoje, um desconhecido. O jornalista Ronald Carvalho que editou o debate – a culpa recaiu sobre Alberico Souza Cruz, é um desconhecido. Lula, o prejudicado, é conhecido no mundo todo.

Quando o PitBonner ficar caquético, anunciará ao mundo que a matéria fora editada, como um dia fez um seu antecessor âncora do JN! Mas então será tarde, e esta figura deslavada do passado e a figura deslavada de hoje pousarão para a história como “jornalistas de fato”, que reconhecem também seus erros… O inferno, se houvesse, bem que poderia levá-los para bem longe dos mortais que tentam buscar a verdade sem manipulação.  

A semana será dura para a verdade! A semana será dura, mais uma vez, para aqueles que no PT cometeram erros. E será ainda mais dura para aqueles que não os cometeram. Vão todos para o mesmo saco! Mas Aécios e seus pós; Serras e seus 23 milhões; Temer e seus golpes; Padilha e seus desvios; Jucá e suas sangrias, todos aparecerão de leve, muito leve, nos noticiários posteriores quando o ambiente de ódio e repulsa, bem ao estilo nazista, já está implantado. E então os figurões da Globo dirão que não manipulam informações… nem selecionam denúncias. Eles somente tomam o lado, o seu lado e batem no outro de acordo com as fórmulas aprendidas com Joseph Goebbels.

O que tenho vontade de dizer a figuroa da ordem de escuta e seleção, aos âncoras dos jornais da Globo e da GloboNews é impublicável. Mas os leitores ouvirão baixinho, bem baixinho o que não disse.

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.