Haddad na Globo News

Interrogado, com tentativas de deixar o candidato sem fala, de deixa-lo acuado, Haddad se saiu magnificamente na entrevista na Globo News. Primeiro porque não se deixou intimidar; segundo porque não se deixou calar pelas constantes tentativas de interrupção de sua fala, como costumam fazer os entrevistadores quando o entrevistado não é de seu partido, isto é, do PSDB. Porque para os entrevistadores de nossa mídia tradicional, somente um discurso tem direito à circulação.

Pois Haddad sequer precisou fazer o que fez Marina nas eleições de 2014, que obrigou o Pittbonnner a pedir desculpas por suas interrupções que não deixavam a candidata falar. É que naquele momento ainda acreditavam que Aécio Neves ganharia no primeiro turno. Somente depois que precisaram – como estão precisando agora – inflar a candidatura da Fada da Floresta é que ela teve direito a falar…

Haddad foi firme. E quando suas respostas a perguntas que exigiam uma contextualização para a compreensão de decisões tomadas no passado, quer dele como prefeito, quer dos governos petistas, sempre uma das entrevistadoras dizia que queria uma resposta do tipo sim/não! Afinal, para esta “jornalista”, análises somente podem ser feitas por jornalistas…

Mas o que chamou minha atenção mesmo foi a coerência de uma “jornalista” do PSDB, aquela senhora cujo sobrenome se aproxima a algo suínico. Ela queria “trazer” para a economia o debate – é seu suposto terreno. Levou ferro: Haddad lhe perguntou se falar de emprego, de renda, de distribuição de renda não era “economia”, então seria necessário redefinir os termos… É que “economia” para a Leitão é “mercado livre”: se não disser esta expressão, não se está falando em economia…

E o mais cômico: as duas jornalistas exigiam que Haddad fizesse um “mea culpa” pela condução política e econômica dos governos petistas. Queriam uma autocrítica. Haddad numa das respostas disse uma verdade ululante: nos governos se cometem erros. Só depois é que se verificam os erros porque a aposta que parecia a melhor se revelara inadequada. Corrigem-se rumos nos governos (exceto com a Dilma, porque não deixaram que o fizesse). Fez críticas a algumas decisões dos governos petistas, mas citou também erros do governo FHC (como o câmbio e o apagão). Imediatamente a Leitão grunhiu: não estou interessada no passado, eu penso é no futuro…

Mas o futuro para a senhora empregada submissa à Rede Globo, aquela da leitura pausada de uma declaração que estava sendo escrita enquanto ela lia para responder ao representante do fascismo que repetira o já sabido de todos, que a Globo apoiou golpe militar, pois é, esta moça, que não é aquela da massa cheirosa, mas com ela faz páreo e junta, não quer passado, quer futuro, mas queria que Haddad se ajoelhasse a seus pés de dona da verdade confessando culpas… Quer dizer, o passado só interessa quando interessa a Leitão; quando o passado remete a outros erros comuns em qualquer governo, aí o passado não interessa, interessa somente o futuro.

Por fim, havia entre os entrevistadores um sujeito convidado a ministro num improvável futuro governo fascista. Coitado, levou um baile de Haddad. Com tangas ou sem tangas, recolheu-se a sua insignificância de futuro ministro de um governo fascista que não haverá.

 

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